David continuou dizendo: "Além do mais, eles voltaram para se vingar e carregam um ódio profundo pela Família Martins."
Em seu olhar, passou um lampejo de frieza. "O tesouro daquele lugar não pode cair nas mãos de ninguém, especialmente da Família Siqueira. Se eles conseguirem essa fortuna, sem dúvida serão uma ameaça enorme para a Família Martins, podendo até mudar completamente o equilíbrio da situação."
Jessica assentiu lentamente: "Você está certo. Então devemos mandar alguém vigiar o Hugo em segredo. Não podemos deixar que ele fique com o tesouro sozinho."
David levantou o rosto e disse: "Isso você não precisa se preocupar, já mandei meus homens cuidarem disso. O que quero lhe contar é que, na verdade, eu já vi o mapa secreto das armadilhas."
Ele semicerrava os olhos: "Se eles não conseguirem o mapa das armadilhas, também não será tão fácil pegar o tesouro. Embora Hugo tenha entrado comigo, eu prestei bastante atenção; lá dentro, as armadilhas são imprevisíveis, estão sempre mudando a configuração, ele não tem a capacidade de entender aquilo."
Jessica perguntou ansiosa: "Você disse que já viu o mapa secreto das armadilhas?"
David assentiu: "Sim, mas só vi uma vez quando era criança."
Ele franziu levemente a testa, esforçando-se para lembrar da cena: "Acho que meu avô guardou. Pretendo voltar e perguntar a ele o que realmente aconteceu."
Jessica pensou por um momento e disse: "Certo, aproveito e vou perguntar ao meu avô se a Família Gomes tem algum símbolo de reconhecimento."
David acenou levemente com a cabeça.
Enquanto conversavam, David de repente sentiu uma onda familiar de calor intenso percorrer seu corpo.
Ele percebeu, preocupado, que era novamente o efeito daquele maldito veneno.
Jessica, sempre atenta, logo percebeu algo estranho em David e perguntou: "Você está se sentindo mal?"
Só que, ao sair, ainda estava inquieta; a cada passo, não conseguia deixar de olhar para trás, mas ao ver o olhar calmo de David, finalmente se sentiu um pouco mais tranquila.
No entanto, assim que a porta se fechou, David se sentiu imediatamente aliviado, deixando de lado qualquer expressão, jogou-se de costas na cama e respirou fundo, o peito subindo e descendo violentamente.
O veneno em seu corpo era como uma maré crescente, ondas e mais ondas atacando sua mente.
Ele percebeu que aquele veneno era realmente estranho, sem entender por que, toda vez que era acometido, a imagem de Jessica surgia involuntariamente em sua mente, trazendo consigo um impulso louco de querer fazer algo com ela.
Temia que, se continuasse assim, acabaria machucando Jessica, mas não via saída.
"O que afinal é esse veneno…"

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