Os olhos de Hugo brilharam com uma crueldade repentina. Assim que terminou de falar, ele puxou a arma da cintura e apontou para o velho, decidido a matá-lo ali mesmo para aliviar sua raiva.
Vendo aquilo, o velho caiu de joelhos com um baque surdo:
“Sr. Siqueira, o senhor... o senhor vai mesmo me matar?”
Hugo riu friamente:
“Ah, só agora sentiu medo da morte? Você manipulou os mecanismos, queria que eu morresse lá embaixo. Me diga, por que deveria te deixar vivo? Quem ousa me trair merece morrer!”
“Não é medo, é resignação. Já te contei tudo o que sei. Se ainda quiser me matar, faça logo.”
O velho fechou os olhos, com uma expressão resignada, como se aceitasse o próprio fim.
Ao lado, alguém franziu a testa, tentando persuadir:
“Hugo, não aja por impulso. Matá-lo não significa resolveremos o problema. Se o mantivermos vivo, talvez ainda nos revele algo útil. Quando David acordar, podemos interrogá-lo com calma.”
Apesar de também não simpatizar com o velho, achava que agir com raiva não era uma boa ideia naquele momento. Quem sabe ainda pudessem tirar algo dele?
Mas Hugo parecia não ouvir, continuava encarando o velho com olhos frios, a arma apontada para sua cabeça e o dedo no gatilho.
Bastava um leve movimento e o disparo tiraria a vida do velho.
Hugo continuou:
“Além disso, pense bem, como foi que ele armou aqueles mecanismos? Por que todos que desceram atrás do tesouro desapareceram? Talvez o velho saiba de tudo, só não nos contou ainda. Se o matarmos agora, esses mistérios ficarão ainda mais difíceis de resolver.”
Hugo franziu as sobrancelhas, soltou um grunhido gelado e disse:
“Velho, se você realmente quer proteger a tranquilidade deste lugar, conte-nos tudo que sabe, será melhor para todos. Não queremos mais perturbar aquele túmulo, mas se não esclarecermos o segredo por trás disso, temo que não vou desistir tão fácil. E quando eu descobrir tudo por conta própria, não serei mais tão tolerante quanto agora.”
Ele voltou a encarar o velho:
“Você realmente não conhece esse grupo de misteriosos?”
O velho balançou a cabeça com força:
“Não conheço. Só fiz um acordo com eles. Não me intrometo nem os impeço, e eles me deixam vivo...”
Hugo abaixou a arma, mergulhado novamente numa névoa de dúvidas.
Lançou ao velho um olhar furioso. Embora tivesse desistido de matá-lo, ainda disse com raiva:
“Considere-se de sorte hoje, vou poupar sua vida por enquanto. Mas se ousar fazer mais algum truque, não espere misericórdia da próxima vez!”

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