David pareceu perceber o olhar de Hugo, virou-se calmamente para ele e disse:
“Hugo, vá dormir cedo também.”
Depois disso, entrou com Jessica naquele quartinho, fechando a porta suavemente atrás de si.
O rosto de Hugo escureceu. Ele apertou os punhos em silêncio, soltou um resmungo frio e girou nos calcanhares, indo para o quarto maior.
Com um estrondo, ele bateu a porta com força, um som que soou especialmente abrupto naquela noite silenciosa.
Dentro do quartinho, Jessica finalmente pôde respirar aliviada.
Ela olhou ao redor. O cômodo era simples: uma cama de solteiro pequena, um armário velho e uma mesinha miúda. Fora isso, não havia mais nada.
Com voz baixa, ela perguntou:
“O que você queria me dizer agora há pouco?”
Jessica ergueu o olhar para David. Sabia que ele havia feito um sinal para que ela o seguisse até o mesmo quarto, provavelmente para dar algum conselho. Agora, sem ninguém por perto, ela decidiu perguntar.
O olhar de David brilhou ligeiramente e ele respondeu:
“Na verdade, não é nada demais. Só acho que este lugar não é seguro. Se ficarmos no mesmo quarto, podemos cuidar um do outro. Assim fico mais tranquilo.”
Jessica permaneceu em silêncio por um momento ao ouvir isso.
David continuou:
“Mas não se preocupe tanto. O Ramiro está lá fora de vigia. Se acontecer qualquer coisa, saberemos logo. Descanse um pouco, ficarei aqui ao seu lado.”
David, ao ouvir isso, olhou instintivamente para a pequena cama. Diante do olhar preocupado de Jessica, as palavras de recusa quase lhe escaparam, mas ele as engoliu.
Sabia que Jessica não tinha outra intenção e, para ser sincero, ele mesmo estava exausto. Os dias de correria já tinham cobrado seu preço; uma chance de descansar de verdade era tentadora.
“Então… está bem,” David acabou concordando com um aceno de cabeça.
Levantou-se, puxou a única cadeira do quarto para atrás da porta, como tranca improvisada, e conferiu se a janela estava realmente fechada. Só depois de garantir todas as precauções, voltou para a cama.
Jessica se ajeitou mais para dentro, abrindo espaço para David, e os dois deitaram lado a lado.
Mas a cama era tão pequena que precisaram se apertar, ficando bem próximos.
Deitados ali, o espaço parecia cada vez mais apertado; qualquer movimento deixava o ambiente ainda mais estreito.

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