Jessica observou a expressão um tanto exagerada de Iris e já compreendia, em seu íntimo, que ela certamente precisava de um favor seu, apenas ainda não sabia exatamente o quê.
Ela não tinha pressa em desmascará-la; queria ver como Iris pretendia se explicar. Por isso, sorriu e disse: “É mesmo? Então agradeço pelo seu carinho. Sente-se, por favor, vou pedir para a empregada trazer algo para comer.”
Iris acenou rapidamente com a cabeça e sentou-se de maneira obediente.
A empregada trouxe café e quitutes.
Iris, sem cerimônia, serviu-se como se estivesse em sua própria casa, comendo e bebendo à vontade. Parecia que ela tinha calculado bem o tempo; antes de David voltar, ela já havia se despedido e saído.
David mal entrou pela porta e logo viu uma enorme pilha de caixas de presente espalhadas pela sala de estar.
Virando-se para a empregada, perguntou: “De onde vieram essas coisas?”
A empregada respondeu: “Foram presentes da senhorita Iris.”
As sobrancelhas de David se franziram ainda mais. “O que ela veio fazer aqui?”
A empregada retrucou: “A senhorita Iris veio brincar com a senhora.”
“Veio ver a Jessica?” David demonstrou certo espanto, pois, em sua lembrança, Iris e Jessica não eram tão próximas assim.
A empregada confirmou com um leve aceno de cabeça.
Enquanto David refletia, viu Jessica descendo as escadas. Aproximou-se e perguntou: “O que a Iris veio fazer com você hoje?”
Jessica balançou a cabeça e respondeu calmamente: “Nada demais.”
De fato, Iris não tinha dito nada abertamente; apenas usou uma visita casual como desculpa. Porém, Jessica entendia que talvez aquilo fosse só uma estratégia de Iris, uma forma de, aos poucos, estreitar laços, conquistar confiança e só mais tarde revelar seu verdadeiro objetivo.
Ultimamente, toda a situação envolvendo Hugo era como um espinho cravado em seu coração, especialmente ao perceber o quanto Jessica se importava com ele, o que o deixava extremamente desconfortável.
Ao ouvir aquilo, Jessica franziu levemente a testa. Não respondeu diretamente à pergunta, mas, preocupada, disse: “Ele pode estar em perigo.”
David perguntou imediatamente: “Como assim?”
Jessica respirou fundo e explicou: “Mandei pessoas procurarem por ele. Hugo foi para uma área deserta, mas ninguém consegue entrar em contato, e não há pistas de onde ele está. Estou pensando em ir pessoalmente.”
As sobrancelhas de David se apertaram ainda mais, e ele respondeu num tom grave: “Área deserta? Você sabe que tipo de lugar é esse?”
Jessica sustentou o olhar de David, e respondeu com calma: “Sei. Dizem que aquele lugar é isolado do resto do mundo, muitos entram e não retornam. É conhecido como a zona proibida da morte.”
David olhou fixamente para Jessica, com a emoção transbordando na voz: “Você sabe disso e ainda assim quer ir? Por causa do Hugo, você está disposta a arriscar a própria vida?”

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