Jessica franziu a testa, claramente insatisfeita com aquela resposta, mas também não insistiu mais.
Logo, o carro chegou ao hospital.
Jessica levou David até o consultório de Orlando.
David hesitou um pouco na porta, mas Jessica, com as mãozinhas, deu um empurrão firme e já o havia colocado para dentro.
"Orlando, veja ele rápido." A voz de Jessica carregava uma urgência evidente.
Orlando Gomes ergueu a cabeça ao ouvir a voz, lançou um olhar avaliador em David e perguntou: "O que aconteceu com ele?"
Jessica apontou para o braço de David. "Parece que ele machucou o braço."
Orlando se levantou agilmente, dizendo: "Sente-se."
David sentou-se e, em silêncio, tirou o casaco.
Orlando se aproximou, segurou o braço ferido e começou a examinar.
Sua expressão foi ficando séria, as sobrancelhas se apertaram um pouco.
"Você mexeu no ferimento, está um pouco inflamado. Vou passar remédio de novo e fazer um curativo."
David apenas respondeu com um "hmm" discreto, o rosto mantendo sempre aquela expressão fria.
Orlando tratava o ferimento enquanto perguntava casualmente: "Foi um ferimento grave, como acabou levando um tiro?"
Falava com tanta leveza, como se estivesse comentando sobre qualquer assunto banal.
Jessica ficou paralisada na hora: "Orlando, você disse que é ferimento de tiro?"
Orlando assentiu, continuando o que fazia: "Ainda bem que foi só no braço. Se fosse um pouco mais para o meio, ou para cima, ele não teria sobrevivido."
Ao ouvir isso, David franziu levemente as sobrancelhas: "Não é tão grave quanto você diz, já está quase bom."
Tsc.
Só então Jessica entendeu e não conseguiu segurar uma risadinha: "Orlando, desde quando você ficou tão engraçado?"
Ao terminar, ela lançou um olhar de repreensão para Orlando: Orlando, por que você tem que cutucar a ferida dos outros?
Mas Orlando apenas arqueou as sobrancelhas, indiferente: O que eu disse não é verdade? David realmente não está bem.
Sentado ali, David observava os dois trocando olhares e, com o rosto tão fechado que parecia prestes a chover, no entanto, não podia explodir; pegou a gaze da mão de Orlando: "Deixa que eu faço."
Orlando, vendo isso, levantou-se e voltou para a cadeira, deixando que David fizesse como queria.
Jessica, vendo a situação, logo tentou amenizar: "Deixa que eu te ajudo a enfaixar."
Depois de terminar o curativo, David levantou-se, vestiu o casaco e disse a Orlando: "Obrigado."
Apesar do tom continuar frio, era possível sentir um leve traço de gratidão.
Orlando acenou com a mão: "Não precisa agradecer, é meu dever. Mas esse ferimento precisa ser bem cuidado, preste atenção e não ignore."

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