David semicerrara os olhos, um olhar gélido refletido neles.
Ele e a Família Siqueira sempre haviam sido inimigos, especialmente Hugo.
David sempre suspeitara que o acidente de carro que o deixara paraplégico anos atrás tinha ligação com a Família Siqueira, que fora Hugo quem mandara alguém agir, mas infelizmente não tinha provas.
Agora que estava de volta, era natural que quisesse acertar as contas daquele passado!
Vicente disse de repente: "Aliás, diretor, tenho mais uma coisa para lhe contar."
O olhar de David se ergueu levemente, o tom permaneceu calmo: "Fale."
Vicente respirou fundo, o rosto assumiu uma expressão mais séria: "Seus pais estão em processo de divórcio."
O semblante antes tranquilo de David franziu-se imediatamente, uma surpresa e desagrado surgiram em seus olhos, e sua voz se elevou alguns tons: "Já nessa idade, ainda inventando confusão?"
Vicente apressou-se em continuar: "Desta vez a situação é séria mesmo. Seu pai traiu sua mãe e parece que Maria está envolvida."
As sobrancelhas de David se cerraram ainda mais: "Certo, vou ver o que está acontecendo."
David dirigiu-se diretamente ao carro, mas por conta do ferimento ainda não cicatrizado, seus movimentos eram um pouco lentos.
Quando estendeu a mão para puxar a porta, acabou forçando o ferimento, o que fez sua expressão se contorcer de dor por um instante.
Vicente, atento, logo percebeu algo errado e perguntou, preocupado: "Diretor Martins, o senhor está ferido?"
David hesitou um breve instante, mas logo recuperou a compostura, respondendo apenas com um murmúrio: "Sim, levei um tiro no braço, fiquei desacordado dois dias, mas agora já está tudo bem."
"O quê?" Vicente ficou espantado. Levar um tiro e ainda ficar desacordado por dois dias... o ferimento devia ser grave.
Mesmo assim, o diretor não descansara e ainda voltara às pressas.
Dona Martins sentava-se na outra ponta, com os olhos inchados e vermelhos, as marcas das lágrimas ainda visíveis, e um olhar cheio de dor e desespero.
No meio, um advogado tentava apaziguar a situação entre os dois.
Sobre a mesa repousava um acordo de divórcio.
Ao ver David entrar, Dona Martins se apressou até ele como se tivesse encontrado uma tábua de salvação, sua voz embargada pelo choro: "David, ainda bem que você chegou, precisa me ajudar!"
David franziu levemente as sobrancelhas: "Vamos lá, me digam o que está acontecendo. Por que esse divórcio de repente?"
Dona Martins respondeu, indignada: "Por que mais seria? Por causa da traição do seu pai! Antes, por sua causa, eu sempre engoli o choro, mas agora você já está crescido, não quero mais viver com ele. Mas quero que toda a propriedade fique comigo, ele que saia daqui sem nada!"
"Ah, você quer que eu saia daqui sem nada?"
Antônio resmungou com desdém: "David, não dê ouvidos às loucuras da sua mãe! Eu não fiz nada para desonrá-la. Só encontrei a Maria por acaso, dei uma mãozinha, e jantamos juntos só para relembrar o passado. Ela é que não acredita, ainda mandou gente me investigar, fez um escândalo em casa. Não aguento mais isso."

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