Ele ficou em pé diante do berço, tentando encontrar traços de Jessica no rosto de Gilberto.
Infelizmente, Gilberto dormia profundamente, com os olhos sempre fechados, e quanto a um sorriso, ele nunca havia visto um.
O pequeno peito subia e descia uniformemente, e os cílios projetavam duas sombras em forma de leque em suas bochechas.
Ele estendeu a mão suavemente, a ponta dos dedos pairando sobre a bochecha de Gilberto, mas hesitou em tocar.
Tinha medo de acordá-lo, pensou David, mas o medo maior era que, mesmo tocando, não encontraria nenhum vestígio de Jessica.
A saudade se espalhou como a noite, silenciosa, mas onipresente.
Ouviu-se um leve ruído atrás dele.
David se virou, alerta, apenas para ver quatro pequenas figuras abraçando seus travesseiros, paradas silenciosamente na porta do quarto.
"Papai...", Tristan chamou em voz baixa, com a voz anasalada. "Não conseguimos dormir..."
David olhou para o relógio: duas e quinze da manhã.
Ele deveria repreendê-los e mandá-los de volta para a cama, mas, ao ver aqueles quatro pares de olhos suplicantes, todas as palavras de repreensão se perderam.
"Entrem", disse ele suavemente, dando um tapinha no espaço ao lado dele na cama grande.
Os quatro pequenos entraram em fila, subindo com mãos e pés na enorme cama king-size.
Daniel, com familiaridade, ocupou o lado onde Jessica costumava dormir, enterrou o rosto no travesseiro e respirou fundo.
"Hum, ainda tem o cheiro da mamãe...", disse ele com a voz abafada.
Essa frase abriu as comportas.
Tristan de repente começou a soluçar baixinho: "Estou com saudades da mamãe..."
Julio imediatamente ficou com os olhos vermelhos, e até mesmo Geraldo, geralmente o mais forte, mordeu o lábio, o rostinho tenso.
...
Escuridão. Uma escuridão sem fim.

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