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No hospital.
Desde que Iris havia se tornado uma morta-viva, Víctor não saíra do quarto nem por um instante. Suas roupas estavam tão amassadas quanto couve-manteiga seca, e a barba por fazer sombreava-lhe o rosto com um tom azulado.
Quando Jessica chegou, flagrou Víctor encostando o rosto na palma da mão de Iris.
Ela viu o semblante sem vida de Iris e sentiu uma pontada dolorida no peito.
Virou-se e perguntou a Orlando, que entrava logo atrás: "Ainda não há solução?"
Orlando apertou o nariz, e na sua testa sempre serena surgiu um vinco profundo. Balançou a cabeça em seguida: "David contou que o Duke também se suicidou. Agora estamos sem pistas e todos nós estamos numa situação difícil."
"Será que ela foi envenenada?" Jessica perguntou.
Orlando respondeu: "Já consideramos isso, mas seu marido é especialista em antídotos, e mesmo assim não consegue resolver. É mais complicado do que pensávamos."
O ar ficou pesado, só o som do monitor marcava presença no silêncio.
Jessica olhou para Víctor, que voltou a segurar a mão de Iris, encostando o rosto no pulso dela, os ombros frágeis tremendo levemente.
Víctor segurou firme a mão de Iris e falou baixinho ao seu ouvido, tentando trazer sua consciência de volta: "Iris, estou esperando por você..."
"Quando você acordar, vou te levar para conhecer o mundo inteiro, provar suas comidas favoritas, e nunca mais vamos nos separar..."
Jessica e Orlando trocaram um olhar silencioso e saíram do quarto.
Ficar ali não adiantava nada, então Jessica se preparou para voltar para casa.
Ao sair do quarto de Iris, ouviu passos atrás de si. Instintivamente, olhou para trás e encontrou o olhar profundo de Hugo.
Antes que ela dissesse qualquer coisa, uma sombra escura se projetou sobre ela.

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