Celeste entrou com elegância, colocando a cesta de frutas sobre o criado-mudo. "Foi no caminho."
Ela disse isso de maneira casual, mas Nilton ficou tão ansioso que coçou a cabeça — será que era no caminho para ver Gilson, ou no caminho para ver ele?
Antes que Nilton pudesse perguntar, Celeste já tinha voltado o olhar para Jessica. "E esta aqui?"
Ela inclinou levemente a cabeça, nos olhos um brilho de curiosidade genuína.
Nilton respondeu imediatamente, tão rápido que parecia ter medo de ser interrompido: "Esta é minha irmã caçula, Jessica."
E logo acrescentou: "Já casada, David é meu cunhado."
Celeste arqueou as sobrancelhas, virou-se para Jessica e estendeu a mão. "Prazer em conhecê-la, Srta. Gomes."
Jessica apertou a mão com educação; o toque era frio, mas suave. "A senhora é muito gentil, e eu também gosto muito do seu ‘Outono em Floripa’."
Celeste sorriu de leve: "Obrigada, é uma obra pouco conhecida, quem gosta dela certamente tem um mundo interior muito rico."
"E também é o tipo que mais ganha prêmio," Nilton interrompeu. "Esses filmes artísticos cheios de lágrimas, os jurados adoram."
Celeste, em vez de se irritar, riu: "Pelo menos é melhor do que certos indivíduos que vivem de fazer pose de galã para ganhar o pão, não acha?"
"Eu só faço pose?" Nilton protestou, indignado. "Também sou do time dos atores de verdade, viu? Até naquela cena de ação fui eu mesmo, sem dublê. Não tenho medo de água, poderia até ganhar medalha olímpica de natação..."
"E aí errou oito vezes seguidas, fez todo mundo do set fazer hora extra!" Celeste completou, rindo.
"Eu—" Nilton ficou sem palavras, perdendo a batalha de argumentos pela primeira vez.
Que novidade! Que frescor!
Todos pareciam assistir a um espetáculo, com a sensação de que o show ainda não era suficiente.

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