Quando o som dos saltos altos de Zoé ecoou no final do corredor, Víctor já tinha voltado para seu quarto, folheando uma revista com uma expressão tranquila.
"Víctor?" Zoé abriu a porta, lançando um olhar afiado pelo cômodo. "Você esteve no ala oeste?"
Era a direção do seu laboratório privado.
"Não." Víctor levantou os olhos calmamente. "Por que voltou tão rápido?"
Zoé não respondeu. Aproximou-se do filho e, de repente, levou a mão ao rosto dele; aquela mão gelada como a pele de uma cobra.
"Você está suando." Ela comentou suavemente, fitando os olhos de Víctor com um olhar investigativo.
Víctor manteve o olhar frio. "Acabei de jogar tênis."
Zoé o encarou por um longo tempo antes de finalmente retirar a mão. "Lembre-se: não entre no ala oeste."
Víctor assentiu, sem demonstrar emoção alguma, mas o coração batia descompassado no peito.
Zoé virou-se para sair, mas parou de repente na porta. "Ah, já que você voltou, estou pensando em transferir o túmulo do seu pai de volta para cá. O que acha?"
O sangue de Víctor gelou no mesmo instante.
Ela sabia perfeitamente que o pai preferia Bordeaux, que ele preferiria ser enterrado lá.
Era um teste? Ou... uma ameaça?
"Como quiser. Não me oponho."
Zoé pareceu satisfeita, e o som dos saltos se afastou pelo corredor.
Só depois de ter certeza de que Zoé realmente havia partido, Víctor se permitiu desmoronar.
Correu para o banheiro, ajoelhou-se junto ao vaso e vomitou violentamente, como se quisesse expelir todas as entranhas.
Depois de limpar a sujeira ao redor da boca, Víctor encarou seu próprio reflexo no espelho: rosto pálido, olhos injetados de sangue, parecia um fantasma.
Mas naquele instante, um pensamento tomou forma em sua mente.

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