No quarto de hóspedes, Solange sentou-se à beira da cama, os dedos distraidamente beliscando a ponta do edredom, o coração inquieto o tempo todo.
"Jessica..." ela começou, hesitante, "você dormindo comigo, tem certeza que seu marido não se importa?"
Jessica sorriu e a empurrou para debaixo das cobertas: "Não tem problema, nós duas ficamos anos sem nos ver, finalmente nos reencontramos, ainda tenho tanto pra conversar com você. E ele vive dormindo sozinho, já está mais do que acostumado."
"É... é mesmo?"
"Claro, pode dormir tranquila."
Jessica apagou a luz, deixando apenas uma luminária amarela e quente ao lado da cama.
As duas conversaram a noite toda, desde a época de estudantes até a experiência de se tornar mãe. Parecia que não faltavam assuntos.
Enquanto isso, do outro lado, David sentou-se sozinho na beira da cama, encarando o lado vazio ao seu lado, a testa franzida de tal forma que parecia capaz de esmagar uma mosca.
Ele já tinha várias restrições quanto àquela Solange de origem duvidosa, e suas suspeitas só aumentavam. Agora, além disso, ela ainda tinha "roubado" Jessica dele, o que o deixava ainda mais incomodado.
Os quatro pequenos ficaram enfileirados na porta, com carinhas cheias de satisfação maliciosa.
Daniel resmungou: "Papai finalmente sabe como é ser deixado de lado, agora pode entender como a gente se sente, né?"
Mesmo assim, dois pezinhos correram para dentro do quarto, e a boca só fazia de conta que consolava: "Ah, papai, não seja tão egoísta, a mamãe não é só sua, não pode querer ficar com ela toda noite."
Julio ainda acrescentou: "Papai tem que aprender a compartilhar, viu!"
Falando assim, também estavam dando um recado: esperavam que ele entendesse que, nos últimos dias, eles também tinham sofrido.
David entendeu tudo, lançou um olhar frio para os quatro pequenos: "Vocês estão com alguma reclamação?"
Os quatro assentiram ao mesmo tempo: "Claro, temos muita reclamação!"
David não quis dar atenção para aquelas crianças, ficou andando de um lado para o outro no quarto, já pensando em como poderia mandar Solange embora no dia seguinte.
Mas os pequenos logo perceberam o que se passava na cabeça do pai.
Geraldo falou: "Papai, você não pode mandar a Dona Solange embora."

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