Mas Víctor só pensava nas quatro crianças, sem o menor apetite. Especialmente quando seu olhar cruzou com a moqueca de peixe com molho de pimenta sobre a mesa, lembrando-se da água apimentada que tinha sido jogada em Iris há pouco, seus olhos ficaram ainda mais frios: "Iris se machucou, quero ir vê-la."
Luciano continuou comendo, sem perder o sorriso: "Já que o tio prometeu pra você, claro que não vai fazer nada com ela. Já pedi pra colocarem ela numa suíte luxuosa, assim pode tomar um banho e trocar de roupa limpa."
Víctor não disse nada, encarando Luciano com um olhar sombrio.
Luciano parecia não perceber o clima tenso, pegou mais um pedaço de peixe, saboreando com prazer: "Experimenta, esse peixe está muito fresco, a carne firme... e esse molho apimentado ficou perfeito!"
Víctor lançou um olhar de desprezo ao corpo rechonchudo de Luciano.
Foi assim que ele ficou desse jeito?
"Não estou com fome." Víctor afastou o prato. "Já que o tio gosta tanto, pode ficar tudo pra você."
O sorriso de Luciano foi sumindo aos poucos, seu tom ficou mais enigmático: "Víctor, o tio quer mesmo o seu bem."
Nas entrelinhas: Não seja ingrato.
Víctor esboçou um sorriso frio: "Entendo o carinho do tio, mas agora só quero ter certeza de que Iris está segura."
Luciano semicerrrou os olhos, largando o garfo devagar: "Você se importa tanto assim com aquela mulher?"
Víctor o encarou: "Sim."
Depois de um tempo, Luciano de repente sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos: "Tudo bem, pode ir. Mas..."
Ele fez uma pausa, a voz carregada de advertência: "Não decepcione o tio. Lembre-se que aqui todo mundo é do tio."
Se você tentar fugir, não vai conseguir.
Víctor sorriu de leve: "Entendi, tio."
......
Na suíte luxuosa, Iris tinha acabado de sair do banho.
Ela ficou diante do espelho, olhando a pele avermelhada no ombro, queimada pela pimenta, e ao tocar levemente, soltou um "ai" de dor.

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