Ela esfregou os olhos e, ao olhar novamente, David continuava na mesma posição, sentado silenciosamente à beira da cama, como se fosse uma estátua.
Será que era só impressão dela?
"Sua cama está bem aqui do lado, não é? Você não dormiu?" Jessica olhou para as olheiras profundas e os olhos vermelhos dele, sentindo uma pontada de preocupação.
"Não estou com sono." A voz de David soava grave, mas o olhar permanecia fixo nela, como se quisesse gravar cada detalhe em sua memória.
Sob aquele olhar tão intenso, Jessica ficou desconfortável, sentindo uma sensação estranha crescer em seu peito.
Quanto mais olhava, mais estranho parecia.
Desde que David havia ficado cego, nunca mais a olhara daquela maneira.
Ela abriu a boca, tentando soar despreocupada: "Estou com sede, pode pegar um copo d'água pra mim?"
"Claro." David se levantou imediatamente, cada movimento fluido e natural.
Ele foi direto até o parapeito da janela, pegou a jarra d’água com precisão e tirou um copo da prateleira, tudo em um gesto contínuo, sem derramar uma gota sequer.
Jessica observou, surpresa com sua destreza, e seus olhos se arregalaram.
Quando ele estava enchendo o copo pela metade, Jessica gritou: "Pare!"
Ignorando as dores do próprio corpo, ela jogou o lençol de lado e se levantou de um salto.
David parou o movimento e virou-se para encará-la.
Jessica caminhou rapidamente até ele e olhou fixamente em seus olhos: "Você está enxergando?"
A garganta de David se moveu e ele assentiu: "Sim."
Jessica franziu as sobrancelhas, desconfiada. Como ele podia estar tão calmo?
Ainda sem acreditar, ela passou a mão na frente dos olhos dele, de um lado para o outro: "Você realmente está enxergando?"

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