Os cílios de Jessica tremularam suavemente em seu rosto pálido. Seus dedos manchados de sangue se ergueram com dificuldade, até finalmente conseguirem segurar a mão trêmula de David.
Sua voz soou fraca, mas cada palavra era clara: "Nós não vamos morrer."
O corpo de David estremeceu. Instintivamente, ele apertou de volta aquela mão, enquanto o cheiro de sangue misturava-se ao calor familiar, fazendo seus olhos arderem de emoção.
Antes que pudesse responder, Jessica perdeu a força e desabou em seus braços, mole como uma boneca de pano.
"Mamãe!"
As vozes dos quatro pequenos ecoaram ao mesmo tempo, cada um demonstrando urgência e preocupação.
O carro avançava velozmente pela noite, e o vento que entrava pelas janelas espalhava o cheiro de sangue por todo o interior.
As luzes dos postes passavam rapidamente do lado de fora, desenhando sombras ofuscantes no mundo escuro de David.
David, alheio a tudo, pressionou suavemente a cabeça de Jessica contra seu peito, escutando as batidas de seu coração, o que o impedia de sufocar de desespero.
Seu queixo repousava sobre os cabelos dela, e sua voz saiu rouca: "Aguente... por favor..."
Ele contava as batidas do coração dela, uma, depois outra...
Finalmente, o carro chegou ao hospital e Jessica foi levada às pressas para a ambulância interna.
David se recusava a soltar sua mão, até que a voz firme de Orlando Gomes soou em seu ouvido: "Solte, deixe sua irmã comigo!"
Os cílios de David tremeram intensamente antes que, relutante, ele abrisse os dedos quase em espasmo.
O som das rodas da maca foi se afastando, enquanto Jessica era conduzida por uma equipe de enfermeiros para a sala de emergência.
Toda a família Gomes chegou rapidamente ao hospital, quase seguindo o rastro da ambulância. Ao ver a filha ferida, o rosto da Sra. Gomes perdeu toda a cor e ela caiu, trêmula, nos braços de Lucas Gomes.

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