Florinda falou com um ar de triunfo, mas Hugo parecia pensativo.
"Você simplesmente trouxe ele até aqui, tem certeza de que David não vai perceber?"
Florinda ergueu o queixo, com um brilho fanático nos olhos: "Ele nem enxerga, como é que vai perceber?"
Ela tirou do bolso um pequeno dispositivo preto, apertou um botão na lateral e, quando falou novamente, sua voz se transformou instantaneamente no tom de Jessica: "Além disso, eu ainda tenho isto."
O aparelho de mudança de voz soltou um leve zumbido elétrico, misturado à entonação propositalmente imitada, ficando quase idêntica à própria Jessica.
Hugo pegou o aparelho, girando-o entre os dedos enquanto o examinava.
Ele soltou uma risada suave, mas seus olhos não mostravam nenhum humor. "Você é realmente corajosa."
Florinda resmungou friamente: "Se eu não fosse corajosa, teria conquistado David? Hmph, desta vez, eu preciso ter ele para mim."
Seus dedos apertaram a palma da mão, determinada a vencer.
Hugo recuou de repente, fitando-a com olhar de águia: "Florinda, você tem ideia do que está fazendo? Está brincando com fogo."
Sua voz ficou gelada de repente. "Você sabe quem é o David? Acha mesmo que vai enganá-lo só com um aparelho de mudança de voz?"
Florinda desprezou.
"Mano, desta vez confia em mim, esse truque vai funcionar!"
"Além disso, esperei tanto tempo..." Sua voz de repente se suavizou, acariciando o aparelho e sussurrando: "David logo será meu, ninguém vai impedir."
Hugo olhou para a expressão distorcida de Florinda e não pôde evitar balançar a cabeça.
…………
Florinda calculou o tempo e, assim que David acordou, entrou no quarto, mas percebeu que ele tateava o ambiente.
Ele caminhava junto à parede, os dedos explorando as texturas, parando de repente ao esbarrar na quina da mesa, depois estendendo a mão no ar como se buscasse algum objeto desaparecido.
Florinda se aproximou, um pouco nervosa: "David, o que houve?"
David virou-se na direção da voz, os dedos longos pairando no ar: "Por que sinto que tudo aqui mudou de lugar?"
Sua voz era calma, mas fez Florinda suar frio pelas costas.
"Ah, isso foi porque fiquei com medo que você se machucasse." Florinda apressou-se a explicar, "Então pedi para tirarem as coisas perigosas e reorganizei o quarto. Você não gostou?"
David ficou em silêncio por um momento e assentiu devagar: "Gostar, eu até gostei, mas é difícil me acostumar."
Tateando, sentou-se na cadeira, os dedos percorrendo distraidamente o encosto. "Prefiro que volte a organizar como era antes, do jeito que eu gosto."
Florinda ficou paralisada, as unhas cravadas nas palmas.
"Tudo bem, já vou mandar arrumar." Forçou um sorriso. "Faremos tudo como você gosta."
David não respondeu, apenas se sentou em silêncio, parecendo estar em seu próprio escritório.
Mas Florinda não tinha ideia do que David realmente gostava.
Ela só podia dar ordens vagas aos empregados para moverem móveis de um lado para outro, criando a aparência de muita atividade, mas no fundo só mudavam uma cadeira alguns centímetros, giravam um enfeite na estante, sem nenhuma mudança real.

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