Fidelis Serra morava numa mansão nos arredores da cidade. O jardim estava impecavelmente mantido, e a casa emanava um forte ar de história e tradição.
O Mordomo saiu e informou, adotando um tom extremamente respeitoso:
— Sr. Vasconcelos, peço desculpas, mas a saúde do velho mestre não tem estado muito boa ultimamente. Ele não pode receber visitas, por favor, volte outro dia.
O rosto de Leonardo permaneceu imperturbável enquanto respondia com calma:
— É justamente por isso que vim visitá-lo.
— Mas... — titubeou o Mordomo.
Estava óbvio que ele não queria deixar Leonardo entrar, e ele tinha certeza de que Leonardo tinha entendido isso.
Contudo, Leonardo se mantinha irredutível em seu desejo de ver o velho mestre.
Com um semblante resignado, o Mordomo cedeu:
— Então, por favor, aguarde um momento.
Ele fechou o portão e retornou à casa principal, onde encontrou Fidelis admirando um quadro com minúcia. Seu rosto exibia um rubor saudável e seus olhos estavam vivos e atentos, bem diferente de alguém enfermo.
— Velho mestre, o Sr. Vasconcelos insiste em vê-lo.
— Hmph! — grunhiu Fidelis.
A sua expressão se fechou e ele bufou com evidente mau humor:
— A mulher dele deixou a minha neta naquele estado e ele ainda tem a audácia de vir me ver? Diga que não estou!
— E se ele ficar esperando lá fora? — perguntou o Mordomo, incerto de como lidar com a situação.
— Então deixe-o esperando. Você também não deve sair para falar com ele — ordenou Fidelis num tom ríspido.
Só de pensar em Clarice, sua neta preferida, sofrendo com depressão, o coração de Fidelis se partia.
A pele das mãos da jovem havia sido severamente queimada, e, mesmo após cicatrizar, ainda restavam as marcas grotescas e enrugadas das queimaduras.
A garota que outrora exalava confiança e energia logo se deixou consumir pela melancolia. Ela se trancava em casa, recusava-se a ver qualquer visitante e nutria um pavor imenso de Mirela.
— Descobri que o velho mestre Serra não está doente. Ontem mesmo, ele saiu com os alunos para buscar inspiração artística na natureza.
Leonardo baixou um pouco o tom de voz e instruiu:
— Vá investigar se a Mirela teve algum atrito com a Família Serra.
— Sim, senhor.
Nanto se distanciou um pouco, delegou as tarefas por telefone e, logo depois, retornou para fazer companhia a Leonardo do lado de fora.
O tempo passava lentamente, e os resultados das investigações de Nanto chegaram ao fim de dez minutos.
Com uma expressão séria e um pouco conflituosa, Nanto relatou o que havia acontecido recentemente na churrascaria com Mirela.
— O velho mestre Serra quer se vingar do senhor. Parece que ele realmente não vai nos receber.
Inesperadamente, Leonardo mantinha uma cara séria sem nenhuma emoção até então, mas um sorriso de orgulho apareceu suavemente no seu rosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade
Totalmente fora de contexto esse capítulo, ficou uma bagunça....
Descontaram 20 moedas no total...
Cobraram as moedas e não disponibilizou o capítulo, de sendo que está com erro...