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Casei por Amor, Me Divorcei por Dignidade romance Capítulo 1107

— Para a Villa Serra Verde.

Glória falou com um tom calmo:

— Vou ver como ele está.

Mirela hesitou por uma fração de segundo, mas logo assentiu, mantendo a expressão serena.

Glória disse:

— Fique em casa e descanse bem. Se precisar de qualquer coisa, é só me ligar.

— Pode deixar.

Mirela concordou com a cabeça. Seu rosto pequeno e delicado não revelava nenhuma alteração emocional.

Após o café da manhã, Glória foi embora. Mirela, por sua vez, voltou para o quarto e atirou-se debaixo das cobertas.

Ela precisava de muitas horas de sono para acalmar os nervos.

Achou que se sentiria melhor após uma noite, mas a realidade é que o aperto no coração só havia piorado.

As palavras cruéis que ele havia dito repetiam em sua cabeça sem parar, como se não tivessem fim. Ela odiava a si mesma por ainda se magoar com aquilo, mas era incapaz de controlar seus próprios sentimentos.

Seu sono foi agitado, repleto de sonhos constantes. Cenas dos primeiros dias que passaram juntos se misturavam na sua mente, fazendo-a sentir como se estivesse presa em uma ilusão doce e nostálgica.

Quando despertou novamente, Mirela olhou vagamente para o teto, sentindo como se houvesse um buraco enorme no seu peito.

Foi nesse instante que o toque do seu celular quebrou o silêncio. Ela o pegou e viu que a ligação era da clínica de repouso.

Gonçalo estava internado lá.

Ela franziu levemente a testa e atendeu, com a voz gélida.

— Alô?

— Sra. Medeiros, bom dia. O estado de saúde do seu pai se agravou e ele foi levado para a sala de emergência. A senhora poderia vir até aqui agora?

Era um funcionário da clínica.

Mirela fechou os olhos por um momento e respondeu:

— Chego em breve.

Ela dirigiu até a clínica de repouso. Durante todo o trajeto, seu humor permaneceu estranhamente calmo. As sombras das árvores passavam num piscar de olhos e, logo, a instalação construída na encosta da montanha surgiu em seu campo de visão.

O único motivo de continuar pagando pelas despesas dele era a gratidão pelos dez anos em que fora criada por eles.

O quarto estava imerso em um silêncio absoluto. Ela pegou o celular e começou a rolar a tela, assistindo a vídeos aleatórios.

— Mirela...

Não se sabe quanto tempo se passou até que uma voz rouca e debilitada quebrou o silêncio.

Mirela parou o que estava fazendo e levantou os olhos. Gonçalo havia despertado.

— Você veio me ver... Isso significa que me perdoou? — Gonçalo falou com extrema dificuldade. Seu olhar já não era lúcido como antes; estava turvo, porém carregado de emoções intensas.

— Eu nunca vou perdoar vocês, nem nesta vida, nem na próxima — Mirela respondeu, com uma tranquilidade assustadora. — Eu só vim para ver se precisavam da minha assinatura para algum procedimento. Mas, que pena, você sobreviveu.

O peito de Gonçalo começou a subir e descer de forma brusca. As palavras dela desencadearam nele uma agitação extrema.

Os monitores cardíacos dispararam seus alarmes estridentes, e a equipe médica correu para dentro do quarto para checar sua condição.

Mirela afastou-se, observando a cena de longe, com uma apatia total.

Enquanto isso, o olhar de Gonçalo permanecia fixo nela. Seus lábios, trêmulos e arroxeados, tentavam articular palavras, mas ele já não tinha forças para emiti-las.

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