Enzo observou Alana por alguns segundos antes de falar:
— Vem.
Ela levantou devagar do sofá, ainda sentindo o efeito leve da bebida no corpo, e o seguiu para fora do salão silencioso do segundo andar.
O restaurante já estava praticamente vazio. Alguns funcionários finalizavam a limpeza enquanto as luzes eram apagadas pouco a pouco.
Enzo caminhava na frente com calma até parar diante de uma porta mais discreta perto da cozinha.
Abriu.
E deu passagem para ela entrar primeiro.
Alana entrou curiosa imediatamente.
O ambiente era diferente do restante do restaurante.
Mais pessoal.
Mais íntimo.
O escritório tinha iluminação baixa, estantes escuras, alguns livros espalhados, garrafas de vinho, certificados emoldurados, troféus e várias fotografias distribuídas pelas paredes e prateleiras.
Ali existia um Enzo completamente diferente do homem convencido e provocador que ela conhecia.
Mais humano.
Mais real.
Enzo tirou o relógio do pulso antes de apontar para o sofá.
— Fica aqui me esperando. Vou terminar de fechar tudo lá embaixo.
Alana assentiu lentamente.
— Tudo bem.
Ele saiu logo depois, deixando-a sozinha no silêncio confortável do escritório.
E Alana começou a observar tudo ao redor.
Os certificados.
Premiações gastronômicas.
Fotos de inaugurações.
Entrevistas.
Troféus.
Ela caminhou devagar pelo espaço, admirando cada detalhe enquanto tentava encaixar todas aquelas versões de Enzo Rocha dentro do mesmo homem.
Porque ele escondia muita coisa atrás do humor, das provocações e do charme.
Muito mais do que deixava transparecer.
Quase quarenta minutos depois, a porta finalmente abriu novamente.
Enzo entrou afrouxando mais um botão da camisa social, claramente cansado, mas parou no instante em que viu Alana segurando um porta-retrato nas mãos.
Ela arregalou os olhos imediatamente.
— Ai… desculpa. Tô mexendo em tudo.
Mas Enzo apenas abriu um sorriso tranquilo.
Franco.
Bonito.
— Tudo bem.
Aproximou-se dela calmamente antes de pegar o porta-retrato em suas mãos.
Então apontou para a foto.
— Essa é minha mãe. Isabela.
Alana observou a mulher sorridente da fotografia com atenção.
Ela parecia leve.
Bonita.
Feliz.
Enzo apontou então para uma menininha pequena segurando um sorvete.
— Essa aqui é a Emma.
Soltou uma pequena risada nasal antes de continuar:
— E esse é meu pai… numa versão bem diferente da atual.
Alana observava tudo em silêncio.
Mas principalmente observava ele.
O jeito como sua voz mudava ao falar da família.
Mais baixa.
Mais vulnerável.
Então falou quase sem pensar:
— O luto transforma a gente.
Enzo permaneceu alguns segundos olhando para a fotografia antes de concordar lentamente.
— De fato.
Ele colocou o porta-retrato novamente no lugar com cuidado.
E o silêncio entre os dois ficou estranho.
Pesado.
Íntimo demais.
Talvez por causa do álcool.
Ou talvez porque Alana já estivesse emocionalmente envolvida demais para filtrar os pensamentos direito.
Por isso acabou perguntando:
— O que mudou em você, chef Enzo?
Ele ficou imóvel por alguns segundos.
E pela primeira vez desde que ela o conheceu…
Enzo pareceu abaixar completamente a guarda.
Sem piada.
Sem charme.
Sem máscara.
Apenas sinceridade.
— A verdade?
Os olhos dele voltaram para outra fotografia na estante. Uma foto antiga dos pais abraçados.
Então continuou:
— Eu jurei nunca amar uma mulher.
Aquilo atravessou Alana imediatamente.
— Por quê?
Enzo soltou uma risada baixa.
Sem humor nenhum.
— Porque pra amar alguém… se apaixonar… viver um conto de fada… você também precisa aceitar o medo de perder essa pessoa.
A voz dele ficou mais baixa.
Mais pesada.
— Meu pai ficou transtornado quando minha mãe morreu.
Alana sentiu o peito apertar devagar.
— Infelizmente… tem coisas que não podemos controlar. Mas ele está feliz agora com a Nathalia.
Enzo assentiu lentamente.
— Sim. Mas depois de dez anos sofrendo. Dez anos praticamente irreconhecível. Dez anos vivendo no automático.
Ele desviou os olhos da fotografia finalmente.
— E talvez ele tenha sido exceção.
Alana viu a dor escondida ali.
Escondida muito fundo.
E pela primeira vez, entendeu que o medo de Enzo nunca foi sobre compromisso.
Era sobre sobrevivência emocional.
Como se amar alguém automaticamente significasse perder depois.
Antes que o clima ficasse pesado demais, Enzo respirou fundo e forçou um pequeno sorriso.
— Mas vamos mudar de assunto, né?
Virou-se para ela novamente.
— Quer beber alguma coisa? Água? Refrigerante? Suco?
Alana inclinou levemente a cabeça antes de responder:
— Vinho?
Enzo soltou uma risada baixa imediatamente.
— Acho que já está bom por hoje, não acha?
O silêncio entre os dois ficou perigoso depois daquilo.
Pesado.
Íntimo demais.
Enzo ainda estava perto quando Alana levantou os olhos lentamente para ele.
E dessa vez nenhum dos dois desviou.
A mão dele subiu devagar até o rosto dela, afastando uma mecha solta do cabelo enquanto os olhos percorriam cada detalhe com calma demais.
Como se estivesse tentando decidir alguma coisa internamente.
Mas falhando miseravelmente.
— Você complica minha cabeça — murmurou baixo.
Alana sentiu o coração acelerar imediatamente.
— Engraçado… porque você faz exatamente a mesma coisa comigo.
O pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele antes de Enzo diminuir a distância entre os dois.
O beijo começou devagar.
Mais lento que os anteriores.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...