Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 302

A madrugada simplesmente não existiu para aquela equipe.

As horas passaram como vultos:

Thomas analisando câmeras, voltando segundos, avançando quadros.

Alex puxando dados de placas, cruzando horários.

Nelson tentando rastrear qualquer sinal digital, qualquer celular próximo, qualquer coisa que respirasse perto da cena.

Bruna procurando localização, ligação, movimento irregular.

Era trabalho puro.

Trabalho desesperado.

Trabalho de quem ia preferir morrer a perder.

E ainda assim…

o relógio bateu 6h da manhã sem entregar absolutamente nada.

O barulho ecoou forte no corredor:

passos rápidos, vozes alteradas, portas batendo.

Thomas saiu da sala de monitoramento.

E viu.

Os pais da Sofia.

Exaustos.

Em pânico.

Tremendo.

A mãe dela o viu primeiro — e o mundo desabou no rosto da mulher.

— VOCÊ! — ela gritou, com o dedo apontado. — VOCÊ devia ter cuidado dela! Você devia estar com ela! VOCÊ—!

O pai segurou a esposa, mas ele mesmo estava transtornado.

Quando Thomas se aproximou, o homem avançou meio passo:

— A culpa é sua! VOCÊ! Minha filha sumiu por sua culpa!

Aquelas palavras bateram no peito de Thomas como pancadas secas.

Rasgaram.

Quebraram.

Abalaram a alma.

Antes que a cena explodisse de vez, o delegado Mourão entrou no meio:

— SENHOR, SENHORA… eu entendo a dor de vocês, mas nós estamos trabalhando sem parar. Precisamos de calma para agir.

A mãe chorava.

O pai respirava fundo, querendo esmurrar o ar.

Thomas recuou um passo.

Depois outro.

Outro.

Até sumir no corredor.

Ele entrou no banheiro, acendeu a luz fria e segurou as laterais da pia.

Lavou o rosto.

De novo.

De novo.

O reflexo no espelho parecia outro homem — destruído, culpado, encharcado de medo.

Ele apertou os olhos, a água pingando.

— Idiota… — murmurou. — Foi sua culpa. Você devia ter atendido. Você não merece a Sofia.

As mãos tremiam.

As paredes pareciam estreitas.

Ele puxou o celular e ligou para quem precisava ouvir sua voz antes que ele enlouquecesse.

Nathalia.

Ela atendeu no primeiro toque, com a respiração trêmula:

— Thomas? Thomas, pelo amor de Deus… tem notícia?

Ele fechou os olhos.

— Nathalia… você ainda não dormiu?

— COMO eu vou dormir? — ela quase soluçou. — Nossa Sofia tá por aí, meu Deus, eu tô… eu tô—

— Ei. — Thomas cortou, firme, mas com a voz pesada. — Calma. A gente tá trabalhando sem parar. Vamos achar ela, eu prometo. Preciso que você venha pra delegacia e mantenha calma. Os pais dela estão aqui… o delegado notificou a família.

— Já tô indo. — ela respondeu sem pensar. — Não deixa ele sozinho. Pelo amor de Deus, Thomas.

Ele desligou devagar.

Respirou fundo.

E voltou.

Para o início da caçada.

Assim que entrou na sala, ele jogou a culpa no canto do cérebro e vestiu a fúria.

— VAMOS, PORRA! — Thomas explodiu. — Eu preciso de algo. Um endereço. UMA PISTA. Qualquer coisa!

Alex levantou os olhos, tenso.

Nelson digitava tão rápido que parecia rasgar o teclado.

Bruna mudava de tela com cliques precisos.

Thomas analisava cada frame.

Cada sombra.

Cada movimento do carro.

Cada desgraça que pudesse virar milímetro de esperança.

De vez em quando, ele olhava pela vidraça da sala:

Os pais.

O irmão que chegara às pressas.

O desespero crescendo.

A culpa tentando entrar de novo.

Mas ele não deixava.

Não podia.

Porque se deixasse, não funcionaria.

As meninas chegam

Às 7h10 passos ecoaram no corredor.

Nathalia entrou primeiro, com o rosto inchado de tanto chorar.

Atrás dela, Emma e Laís.

As três foram direto até os pais da Sofia, oferecendo:

Água

Ábraço

Presença

Apoio

Força que elas nem tinham, mas ofereciam mesmo assim

Thomas observou a cena por dois segundos…

E voltou aos monitores.

Porque se olhasse muito, desabaria.

Às 8h00 — o telefone toca

O som cortou a sala como faca.

Um toque só.

Frio.

Prolongado.

Número privado apareceu na tela.

Todos congelaram.

Thomas ergueu o celular devagar.

Fez sinal para QUE NINGUÉM falasse.

Silêncio absoluto.

Ele atendeu.

A voz dele saiu firme, dura, polida como lâmina:

— Alô.

---

Na garagem da delegacia, as ordens de Mourão ecoavam como tiros:

— Equipe Alfa, comigo! Bravo e Delta atrás! Ninguém age sozinho! Thomas, Alex, Bruna — no meu carro! AGORA!

Seis viaturas foram acionadas ao mesmo tempo.

As portas bateram.

O barulho das sirenes estourou no ar.

E então…

As viaturas avançaram derrapando, cantando pneu, engolindo a madrugada.

---

Armado — o pai de Sofia — sentiu uma dor tão funda no peito que parecia que ia morrer junto.

Ele olhou para Célia.

Olhou para o corredor vazio.

E tomou a decisão que qualquer pai tomaria.

— Vem. — disse com os olhos vermelhos. — A nossa filha tá lá fora. Eu não vou ficar sentado esperando notícia nenhuma.

O irmão tentou segurar:

— Pai, isso é loucura!

Mas era tarde demais.

Armado já tinha a chave na mão.

— É a MINHA filha! — gritou, com a voz quebrando. — Se ela tá viva, eu vou atrás. Se ela tá machucada, eu vou tirar ela de lá. Eu vou. VOCÊ ENTENDE?

A mãe entrou no carro sem pensar.

As meninas — Nathalia, Emma e Laís — se entreolharam, pálidas, mas determinadas.

— Não vamos ficar paradas — disse Nathalia, firme. — Nem mortas.

E entraram também.

O carro arrancou atrás das viaturas, levantando poeira, derrapando na saída.

O irmão de Sofia veio logo em seguida, em outro carro, quase colando no para-choque do pai.

A estrada começou a mudar.

Asfalto.

Depois remendos.

Depois terra batida.

A poeira subiu como neblina marrom, engolindo tudo.

Nathalia tossiu.

— Isso é loucura… — disse, apertando o cinto. — Meu Deus… isso é loucura.

Mas Armado não desviava os olhos por nada no mundo.

Mãos firmes no volante.

Maxilar travado.

O carro balançando, pulando nos buracos da estrada.

Cada placa.

Cada curva.

Cada pedra.

Ele dirigia como se a vida inteira dependesse disso.

E dependia.

— Aguenta, minha filha… — murmurou. — O pai tá indo.

E acelerou ainda mais, como se o próprio coração estivesse preso naquele ponto do mapa.

Como se parte dele estivesse lá.

E estivesse sofrendo.

A poeira engoliu os carros.

O relógio corria contra eles.

Trinta minutos.

Trinta minutos para salvar Sofia.

Ou para perdê-la para sempre.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário