Com a porta fechada, os sons do corredor foram bloqueados.
Fabiana colocou a caixa na mesa e soltou um longo suspiro.
Sua colega de quarto espiou por trás da cortina da cama: — Você voltou? O que é isso?
— Biscoitos. — Fabiana abriu a caixa. — A Helena que fez.
Os olhos da colega brilharam e ela desceu da cama imediatamente: — Uau, que cheiro bom!
Outra colega também se aproximou: — A Helena é boa demais, ainda trouxe comida para a gente.
Fabiana observou as duas dividindo os biscoitos, e aquele leve desgosto de antes, causado por Valentina e as outras, logo desapareceu.
......
Na sala privada do clube, a fumaça pairava no ar e o cheiro de álcool era forte.
Matheus estava sentado perto da janela, com um copo de água morna na frente, enquanto o copo de bebida alcoólica na mesa mal tinha sido tocado.
O jantar daquela noite havia sido organizado pelo Sr. Ricardo Fonseca, principalmente para apresentá-lo a alguns donos de empresas de logística e armazenagem locais. Vários deles eram mais de dez anos mais velhos que Matheus e trabalhavam em Porto Real há mais de uma década, então não tinham tantas reservas na hora de falar à mesa.
— Venha, venha, Sr. Ferraz, beba mais um copo. — Um chefe de sobrenome Zhao se aproximou com o copo, o rosto já vermelho da bebida. — Você é jovem e aguenta beber, eu percebo.
Matheus deu um leve sorriso, pegou o copo e deu um gole, sem virar tudo de uma vez.
O Sr. Zhao viu isso e não insistiu, apenas deu um tapinha no ombro dele: — Os jovens têm limites, muito bem.
Nesse momento, um chefe de sobrenome Sun, que ocupava o assento principal, olhou para o relógio, levantou-se e bateu palmas.
— Certo, certo, já deu por hoje. — Ele disse sorrindo. — Já comemos, já bebemos, vamos encerrar por aqui.
Vários dos chefes mais velhos assentiram e começaram a arrumar as coisas para ir embora.
Matheus se levantou, o tom de voz calmo: — Não, eu também já vou.
— Ei, não tenha pressa. — O Sr. Ademir se aproximou na mesma hora e agarrou os ombros de Matheus. — Sr. Ferraz, você é tão jovem, não me diga que é tão comportado assim?
Matheus virou o corpo para desviar da mão dele, sua expressão inalterada: — Não vou.
— Sr. Ferraz, aí você está errado. — Maurício disse sorrindo, com um tom provocativo. — A gente que faz negócios, quem é que não vai nesse tipo de lugar para ver o mundo? Se você não tem coragem nem para isso, como vai lidar com os clientes depois?
— É isso aí. — Ademir entrou na onda. — As garotas desses lugares são maravilhosas. A sua esposa em casa pode ser bonita, mas não tem comparação. Além disso, a convivência diária com a mesma pessoa acaba tornando tudo monótono com o tempo. Olhar para a mesma cara todo dia cansa rápido.
Dizendo isso, ele baixou a voz de propósito, com um sorriso malicioso: — Não me diga que nunca ficou tentado? Você é jovem, tem o sangue quente, é normal dar umas voltas fora. Desde que a mulher em casa não saiba, tudo bem.
Esses homens sabiam que Matheus era casado, mas ele nunca havia levado a esposa para sair.
No entanto, era fácil imaginar. Matheus era órfão, sem contatos, sem diploma, e subiu de baixo. Que tipo de esposa decente ele conseguiria casar?

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