Todos eram jovens, vivendo juntos no mesmo quarto, dividindo a mesma cama; certamente aconteceria alguma coisa, por isso, quando a senhora acordou pela manhã, pediu à cozinha que preparasse uma sopa fortalecedora para Leona.
“Nanto, você precisa de um reforço também?”
Nanto imediatamente fechou a expressão. “Vovó, minha saúde está ótima, não preciso de reforço algum.”
“Leona... ela costuma passar as noites no hospital cuidando da minha sogra, vira muitas noites, de fato precisa se fortalecer.”
Ao ouvir isso, o sorriso da senhora desapareceu. Ela arregalou os olhos, fitou o neto mais velho e perguntou: “Nanto, não me diga que, ontem à noite, você e minha neta, continuaram como sempre?”
“Vovó acha que nós, como casal, iríamos mudar tanto assim?”
A senhora ficou sem palavras.
Depois de um tempo, ela falou, desapontada: “Eu achei que logo poderia segurar meu bisneto no colo.”
“Nanto, tem certeza de que sua saúde está mesmo bem?”
A senhora voltou a demonstrar preocupação.
Temia que o neto tivesse algum problema de saúde.
Esse neto tinha crescido ao lado da bisavó; será que teria algum problema oculto? Ninguém sabia.
Nanto não falava.
A bisavó também nunca mencionara nada.
Pensando bem, quando a bisavó estava viva, a quem mais amava era Nanto, o bisneto, amava profundamente, como se fosse uma joia preciosa.
Se Nanto tivesse algum problema de saúde, a bisavó certamente teria contado.
Só então a senhora conseguiu se acalmar um pouco.
“Vovó!”
Nanto falou, resignado: “Leona ontem à noite bebeu demais e dormiu assim que deitou.”
Ele sabia que não havia nada entre Evandro e Leona, mas ver os dois tão próximos sempre lhe causava certo incômodo.
Não gostava de ver Leona sorrindo para Evandro.
Não gostava de ouvir Evandro chamando Leona de maneira carinhosa.
“É isso mesmo, você tem outros negócios enormes, confiou tudo nas mãos dos seus assistentes de confiança, mas a fazenda você sempre fez questão de cuidar pessoalmente. Poderia muito bem ser apenas um gerente ausente, se quisesse.”
Nanto respondeu: “Desde que me lembro, sempre vivi em nossa terra natal, minha pessoa mais próxima sempre foi a bisavó. Ali é meu verdadeiro lar, é onde gosto de estar.”
Aceitar deixar a fazenda sob os cuidados do Evandro e voltar para a cidade era por causa de Leona.
A senhora falou, com pesar: “Fomos nós que não demos atenção suficiente a você.”
“Não, ninguém me negligenciou. Vovó, vocês não precisam se sentir culpados. Cresci com a bisavó, fui muito feliz. Tenho grande alegria em acompanhá-la no nosso verdadeiro lar.”
Nanto não guardava ressentimento algum pelo fato de a família ter deixado que a bisavó o levasse para o interior.

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