Ao se lembrar da voz da filha dele o chamando de papai, Alba soltou um riso frio e desolado.
— Não importa, eu pego de volta na segunda-feira no trabalho.
— Só nos resta isso, então.
Gabriela pareceu lembrar de algo, enganchou o braço no de Alba e chamou as crianças.
— O que acham de a dinda levar vocês ao aquário hoje?
As três crianças correram até ela, com os olhinhos brilhando, levantando as mãos em aprovação.
Alba puxou a manga de Gabriela.
— Os ingressos para o aquário são muito caros, nós...
Antes que pudesse terminar, Gabriela tirou cinco ingressos da bolsa e os balançou no ar.
— O parque está fazendo um projeto social e doou muitos ingressos para as crianças das escolas. Os professores também ganharam. Eu pedi alguns a mais para o diretor.
Alba pegou os ingressos e sorriu.
— Obrigada.
— Que isso, amiga, estamos juntas nessa.
Gabriela deu um leve empurrãozinho no braço dela.
— Vamos logo, se formos agora, ainda conseguimos ver a apresentação dos leões-marinhos às duas da tarde.
Dito isso, segurou a mão de uma criança em cada lado e foi na frente.
— Mamãe, rápido!
Vendo que a dinda já tinha ido com os dois irmãos, Elara balançou a manga da mãe, ansiosa.
Alba sorriu levemente, acariciou a cabeça da filha e, segurando sua mãozinha, seguiu atrás.
O aquário ficava em uma nova área suburbana, a mais de vinte quilômetros de distância. Felizmente, Gabriela tinha carro.
No entanto, ela estava com preguiça de dirigir.
Jogou as chaves para Alba.
— Alba, você já trabalhou como motorista de aplicativo antes, com certeza dirige melhor do que eu.
— Dinda, admite logo que você é preguiçosa.
Assim que entraram no carro, Talles resmungou.
Ficou pendurada na mãe, braços e pernas apertados, com o rostinho escondido no pescoço de Alba, sem coragem de olhar de novo.
Talles e Demian, porém, não sentiram um pingo de medo. Eles insistiram em ficar de frente para o vidro, esperando que o tubarão gigante nadasse na direção deles para que Gabriela tirasse fotos.
Mais à frente ficava o pavilhão dos grandes animais de águas profundas, com todos os tipos de peixes gigantescos.
A covarde Elara mantinha os bracinhos apertados ao redor do pescoço da mãe.
— Mamãe, tô com medo. O peixe grande vai me morder?
— Não vai...
Alba acariciava as costinhas finas dela, esfregando a testa no rostinho da filha e consolando-a com uma voz suave.
— Elara, dá pra você ser um pouco mais corajosa?
Talles fez um biquinho, observando Elara grudada na mãe o caminho todo. Agindo como um mini-adulto, ele ofereceu um pirulito à irmã.
— A mamãe vai ficar cansada de te carregar.
Demian estendeu a mãozinha para a irmã.
— Elara, não precisa ter medo, a gente segura sua mão e vamos juntos.

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