— Gastando dinheiro à toa de novo...
Talles resmungou, segurando a sacola de forma desajeitada e andando à frente dela.
Agindo como um mini-adulto, ele apressou os irmãos mais novos que haviam acabado de chegar ao quinto andar:
— Andem logo com isso!
Depois de falar, continuou subindo as escadas apressadamente.
— Vá devagar.
Alba o alertou com suavidade.
Aquele menino... apesar de tentar parecer durão na hora de falar, no fundo tinha um coração incrivelmente doce e carinhoso.
Ajudava com a sacola, mas não perdia a marra.
Assim que chegou em casa, ela foi ao telhado recolher a roupa de cama que estava estendida, arrumou tudo direitinho e foi para a cozinha preparar o jantar.
Cozinhou os pratos favoritos das crianças.
— Mamãe, a sua comida é deliciosa!
— É verdade, a mamãe já pode até virar chef de cozinha.
Enquanto Elara e Demian enchiam a mãe de elogios, Talles disparou:
— E qual a vantagem de cozinhar bem? Só serve para trabalhar de graça e virar uma escrava do fogão.
— Hã?
Elara, que estava devorando uma costelinha, sentiu na hora que a carne perdeu um pouco da graça.
Ela se aconchegou nos braços de Alba:
— Mamãe, de agora em diante podemos comer coisas simples, não precisa fazer tantos pratos.
Demian completou:
— Tanta comida assim gasta o dinheiro da feira de vários dias.
— Meus amores, a mamãe não se cansa, de verdade...
Alba ficou comovida com a maturidade das crianças e sorriu de forma radiante.
Porém, seus olhos começaram a marejar.
Ao lembrar da determinação cega de quando preferia morrer a ter aquela criança, sentiu uma culpa profunda.
Se não fosse pelas condições de seu corpo não permitirem o aborto na época, ela jamais os teria deixado nascer...
O pensamento a levou de volta ao que Fabiano havia dito mais cedo: a filha de Jefferson já estava com seis anos.
Isso provava que, há seis anos, Adelina já estava grávida.
Ninguém sabia que, no dia de seu noivado, Adelina havia batido nela e a xingado.
Normalmente, naquele horário, ela estava no trabalho de meio período.
O fato de ela estar em casa não era normal.
Alba não queria mentir para o filho e respondeu com doçura:
— A mamãe está enviando currículos. Daqui a alguns meses, pretendo arrumar um novo emprego.
Demian correu até ela puxando a irmãzinha:
— Algum colega de trabalho foi malvado com a mamãe para você querer se demitir?
Elara, com um rostinho preocupado, perguntou:
— Mamãe, está tudo bem?
Alba colocou o notebook na mesa de centro e, com um sorriso amoroso no olhar, puxou os três para um abraço:
— Está tudo bem, a mamãe só quer arranjar um emprego que pague melhor.
Elara comentou:
— Eu queria que a mamãe encontrasse um emprego que não fosse cansativo, e o patrão deveria ser um chefe bonitão que parecesse um galã.
Talles e Demian lançaram um olhar incrédulo para a irmã:
— Bobona. Só pensa em beleza.

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