Diante da atitude sincera dela em admitir o erro, a expressão de Jefferson finalmente suavizou um pouco:
— O fato de termos conseguido abafar o caso da garota muda e obtido o vídeo original foi resultado da nossa cooperação com a Capital & Compliance Advogados. A vinda de Alba para o Grupo Soares é puramente profissional.
Essa explicação era lógica e razoável.
Porém...
— Com tantos advogados na Capital & Compliance Advogados, por que justamente a Alba foi designada para o Grupo Soares?
Jefferson respondeu:
— É bem provável que ela ainda tenha outras provas contra o Fabiano. Apenas mantendo-a no Grupo Soares podemos garantir que estamos seguros.
— Entendi...
Embora essa justificativa também fizesse sentido, Adelina ainda sentia que Jefferson mantinha Alba por perto muito provavelmente por causa da semelhança dela com Stella.
Durante todos esses anos, ela sabia muito bem que Jefferson estava sempre à procura de garotas que se parecessem com Stella.
Ela não se importava, pois nenhuma daquelas garotas jamais poderia ser Stella.
Afinal, Stella era surda-muda.
Por mais que ele procurasse, jamais encontraria uma mulher exatamente igual a ela.
No entanto, com Alba era diferente.
Os olhos dela eram idênticos aos de Stella.
Se Alba continuasse na empresa, e se um dia Jefferson realmente desenvolvesse sentimentos por ela? O que ela faria?
Ela tinha que encontrar um jeito de expulsar Alba da empresa!
...
Eram seis da tarde.
Alba e Zanete saíram juntas do escritório.
Lá fora, caía uma chuva fina e persistente, acompanhada de um vento cortante que deixava o clima úmido e gelado. O frio penetrava pelos casacos, fazendo qualquer um bater os dentes.
Zanete tirou a chave do carro da bolsa.
— Alba, está chovendo. Quer que eu te dê uma carona até em casa?
Embora a família de Zanete não fosse rica, eles tinham uma vida confortável. Ela possuía seu próprio carro.
Alba sorriu levemente.
A voz frívola de Miguel soou novamente:
— Dra. Aragão, sujei a sua roupa. Que tal eu te dar uma nova para compensar? Entre no meu carro, vamos até o shopping aqui na frente, você escolhe qualquer uma e eu pago.
Sem olhar para ele, Alba continuou andando:
— Não é necessário.
— Não seja tão fria, Alba. Estou pedindo desculpas sinceramente. Você me tratando com tanta frieza... Será que ainda guarda rancor por eu ter feito você assinar aquele acordo de conciliação naquele dia?
Alba apressou o passo, fingindo não ouvir.
Miguel, persistente, buzinou.
— Alba, aquele buquê de flores que te mandei dias atrás foi um pedido de desculpas...
— Dr. Miranda.
Alba fechou os olhos por um segundo e tornou a abri-los.
Ela parou de andar, virou-se e o encarou:
— Sobre o que aconteceu na última vez, cada um de nós tinha sua própria posição profissional. Eu não guardo nenhum ressentimento. Portanto, você não precisa se desculpar comigo. Agora estou com pressa para pegar o metrô, então, por favor, pare de me seguir.

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