— ...
Como esperado, ele tinha vindo por causa do cunhado.
O aperto de Jefferson era tão forte que Alba sentiu que seu braço ia quebrar.
Ela cerrou os dentes e tentou se desvencilhar, mas não conseguiu. Pelo contrário, foi segurada com ainda mais força.
Suportando a dor, ela se justificou:
— O vazamento no Twitter sobre o Sr. Barreto e o Sr. Mendonça não tem absolutamente nada a ver comigo.
— É mesmo?
Com um puxão violento do homem, Alba caiu de bruços contra o peito dele.
O rosto dela empalideceu de susto, e suas pequenas mãos rapidamente empurraram o tórax dele para evitar que seus corpos ficassem totalmente colados.
Mesmo assim, a distância entre os dois era ínfima.
Perto o suficiente para que ela ouvisse claramente a batida profunda e retumbante do coração dele ecoando em seu peito.
E também o descompasso do próprio coração.
— Sr. Soares, não fui eu, de verdade...
Ela ergueu o rosto, exibindo uma expressão de pura inocência.
Na verdade, não se importava se ele acreditaria ou não.
Como ele mesmo havia dito antes, o nível de confiança dele nela já era zero.
Qualquer explicação seria em vão.
— Vá mentir para outro!
A voz de Jefferson era distante e gélida.
Alba rebateu:
— Este tweet não envolve o seu cunhado. Por que o Sr. Soares insiste em colocar a culpa em mim?
A mão grande que apertava o braço dela afrouxou, e em seguida, ele beliscou levemente o rosto dela:
— Dra. Aragão, não importa se foi você quem publicou isso ou não. Desde que não envolva o Fabiano, faça a bagunça que quiser. Mas eu vim aqui para te dar um aviso: eu ainda tenho o vídeo de você recebendo aquele dinheiro. Se você ousar tocar no Fabiano, eu farei você pagar o preço.
O coração de Alba deu uma pontada. Com um sorriso amargo, ela perguntou:
— E o preço é a morte?
Vendo as lágrimas se formarem nos olhos da mulher, foi como se Jefferson enxergasse o olhar triste que Stella costumava lhe lançar no passado. Seus dedos tremeram levemente, e ele a soltou.
O coração dele também amoleceu um pouco.
— Vá para a estação de metrô.
Alba fechou os olhos.
Em vez de lutar uma batalha inútil contra ele, era melhor ceder para conseguir um pouco de paz.
Ele gostava de mulheres submissas.
No passado, ela sempre fora dócil e obediente na frente dele. Ele gostava da sua submissão absoluta.
Como no dia em que ele ficou noivo de Adelina. No vestiário, ele a beijou e persuadiu com palavras doces:
— Stella, seja uma boa garota, não brigue comigo. Eu prometo que nunca vou te abandonar nesta vida.
Naquele momento, ela havia concordado mecanicamente com a cabeça.
Mas seu coração já estava morto.
— Sra. Aragão, chegamos.
A voz de Murilo a trouxe de volta de seus pensamentos distantes.
Alba murmurou um agradecimento e, sem sequer olhar para Jefferson, abriu a porta e desceu.
Observando a silhueta esguia da mulher sumindo em meio à chuva, o homem abaixou os olhos. Ele encarava o cabo do guarda-chuva preto que segurava, os nós dos dedos ficando cada vez mais brancos pela força.

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