Seis anos atrás, ela acabou nas ruas de Rio das Artes.
Um dia, ela desmaiou e entrou em choque em um ponto de ônibus.
Foi Gabriela, uma completa desconhecida na época, quem teve a bondade de levá-la ao hospital.
Naquele tempo, ela já estava grávida de mais de seis meses.
Com apenas vinte anos, a perspectiva de se tornar mãe a enchia de ignorância e pavor.
Somado à ansiedade crônica e sob uma pressão psicológica esmagadora, ela tentou o suicídio cortando os pulsos.
Felizmente, Gabriela a encontrou a tempo, salvou sua vida e cuidou dela no hospital.
Vendo que a garota estava em uma situação de partir o coração, Gabriela não apenas pagou as despesas médicas, mas, ao descobrir que ela não tinha onde morar, levou-a para um orfanato chamado Lar Divina Graça.
A diretora, Fernanda Carvalho, era mãe de Gabriela.
Com pena daquela jovem órfã e grávida, a diretora não só permitiu que ela morasse no orfanato, como também, ao saber que ela havia estudado na Universidade do Brisamar, ofereceu-lhe um trabalho como professora substituta.
Na reta final da gravidez, a Diretora Carvalho e Gabriela cuidaram dela com ainda mais zelo.
Aos poucos, o Lar Jardim da Infância se tornou seu lar, e as duas se tornaram sua única família em Rio das Artes.
Um ano atrás, Gabriela foi transferida para Brisamar para dar aulas em uma escola para surdos e mudos.
Desta vez, ao se mudar de volta para Brisamar, Alba entrou em contato com ela imediatamente.
A casa alugada onde morava agora e o jardim de infância das crianças foram todos encontrados com a ajuda de Gabriela...
Neste momento, os professores já haviam ido ao refeitório almoçar.
Ao saber que Alba havia chegado, Gabriela correu para buscar duas marmitas.
Após a refeição, Gabriela lavou uma maçã e entregou a ela:
— Alba, você veio atrás daquele pen drive, não é?
Alba assentiu.
Gabriela abriu a gaveta, tirou um pen drive preto e o entregou:
— Você tem certeza de que quer vazar essas provas na internet?
Alba o pegou e guardou na pasta:
— Tenho.
Desde que assumira o caso da garota muda, sabia que seria uma batalha difícil.
Havia frutas, potes de castanhas, iogurtes, doces, pães e biscoitos.
O salário de Gabriela era de apenas uns dois ou três mil reais, e ela ainda separava uma parte para ajudar o orfanato.
Já era uma vida bem apertada.
Alba apertou a mão dela com carinho:
— Pare de gastar seu dinheiro comigo e com as crianças. Guarde um pouco mais para você, compre umas roupas bonitas, maquiagens... Você já não é mais nenhuma criança, está na hora de sair em uns encontros e arrumar um namorado.
— Como assim não sou mais criança? Alba, você falando desse jeito parece até a minha mãe. Eu só tenho vinte e nove anos, estou na flor da idade!
Dizendo isso, Gabriela riu e empurrou a sacola para os braços da amiga:
— Minha mãe me cobrando casamento já é o suficiente, e agora você também? Assim não dá para viver!
Alba deu um sorriso resignado:
— Tudo bem, parei de cobrar.
Ao sair da escola, ela foi direto para uma lan house.
Acessou uma conta do Twitter chamada 'Deusa da Justiça'.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais