Ela não tinha medo de que ele investigasse.
Porque, por mais que ele investigasse, só encontraria as informações da verdadeira Alba.
Ela apenas havia pegado emprestada a identidade daquela garota chamada Alba.
Alba tentou o máximo possível conter o pânico em seu coração, mantendo uma expressão fria e distante:
— Sr. Soares, se não acredita em mim, pode investigar. Eu realmente não sou a sua irmã Stella.
Jefferson repetiu:
— Stella...
Jefferson parecia enfeitiçado, chamando o nome dela com teimosia, mas carregado de afeto:
— Você acha que eu sou fácil de enganar?
Ele havia observado com muita atenção agora há pouco.
Os trejeitos dela ao fazer os sinais... eram exatamente os mesmos de Stella!
Especialmente agora, olhando para os olhos daquela mulher, que eram quase idênticos aos de Stella, parecia que a própria estava viva bem ali na sua frente.
Culpa, ressentimento e saudade engoliram a sua sanidade como uma enchente.
Apertando a mão e prendendo o queixo dela, ele perdeu o controle das emoções e avançou para beijar seus lábios.
Vendo que Jefferson estava prestes a beijar seus lábios, Alba virou o rosto bruscamente.
Os lábios finos e quentes do homem roçaram na bochecha dela, parando no ar vazio.
A respiração de Alba falhou.
Ela levantou a mão e desferiu um tapa no rosto dele.
Sua voz carregava um soluço quase imperceptível:
— Sr. Soares, por favor, comporte-se!
O tapa não acertou em cheio no rosto, mas arranhou a linha afiada de sua mandíbula.
O queixo dele foi cortado pelas unhas dela, deixando escorrer um fino rastro de sangue.
A dor aguda acompanhada pelo cheiro metálico do sangue fez com que as emoções sombrias do homem entrassem ainda mais em colapso.
Com os olhos avermelhados e úmidos, ele encarou o pequeno rosto de Alba, ruborizado de raiva, e perguntou em um tom grave:
— Então me diga, por que você sabe a língua de sinais? Você é ou não é a minha irmã Stella?
Durante todos esses anos, todos lhe diziam que Stella havia morrido.
Sendo que ele mesmo dissera: "Stella, me espere, eu volto já para te salvar".
Porém, ela ficou parada em frente à janela, com os pulmões ardendo por inalar a densa fumaça preta. Esperou e esperou até conseguir escapar por um milagre, apenas para se deparar com a cena dele sentado na ambulância, abraçando Adelina com força...
Foi então que ela percebeu que ele nunca teve a intenção de salvá-la...
Afinal, aos olhos dele, naquele dia em que ela arruinou a festa de noivado dele com Adelina, ela não passava de uma criminosa.
E deveria pagar seus pecados com a vida.
Mas agora, seis anos depois, ele já estava casado. Por que estava procurando por ela?
Os gritos desesperados e dilacerantes que vinham de dentro de si quase estraçalhavam o coração de Alba.
Lágrimas começaram a rolar pesadas.
Ela levantou a mão e as enxugou com força, cheia de teimosia.
Ela sabia que, se não desse uma explicação plausível, ele continuaria insistindo naquilo.
Alba o empurrou, recusando-se a ficar um milímetro mais perto dele:
— Sr. Soares, eu não sou a irmã que o senhor procura. Eu sei a língua de sinais porque cresci no Orfanato Rio das Artes, foi lá na instituição que eu aprendi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais