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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 21

— Sr. Martins...

— Alba, você ainda quer manter o seu emprego?

Num impulso, Alba deixou escapar:

— Então eu me demito.

— Ah, é mesmo?

Rafael deu uma risada desdenhosa:

— O seu contrato com o escritório ainda tem seis meses. Você pode sair agora se quiser, mas tem como pagar a multa rescisória?

— ...

Alba cerrou os punhos.

Esse era o seu dilema.

Precisava do trabalho, mas estava sendo assediada pelo chefe.

Queria sair, mas não podia.

Até o contrato terminar, só lhe restava suportar.

— Alba, minha querida.

Rafael de repente estendeu a mão e a agarrou pela cintura:

— Você é a minha pupila, a quem eu ensinei tudo. Desde que me obedeça, eu garanto que o seu futuro será brilhante.

— Sr. Martins, por favor, me respeite.

Alba o empurrou.

No entanto, ele a puxou à força para os seus braços.

Durante o forcejeio, o colarinho e a manga da blusa dela rasgaram.

— Alba, eu gosto demais de você, deixa eu te dar um bei... Smack!

Quando os lábios dele quase tocaram o seu pescoço, Alba o empurrou violentamente.

Um tapa estalado atingiu o rosto dele com força.

— Você tem coragem de bater no seu mentor? Alba, você não quer mais trabalhar neste escritório?

Rafael, com o rosto ardendo pelo tapa, a agarrou rudemente mais uma vez.

Enquanto lutavam, ouviram batidas na porta.

Rafael olhou furioso para a porta, prestes a gritar com quem fosse, e Alba aproveitou a chance para empurrá-lo com toda a força.

Ela correu cambaleando até a entrada.

E escancarou a porta.

Acabou esbarrando contra um peito largo e firme.

O paletó largo ainda guardava o calor do corpo dele, além do aroma amadeirado misturado com um leve toque de tabaco.

Aquele cheiro, familiar até a alma, a fez lembrar das noites em que se perdia nos braços dele, trocando sussurros íntimos.

Ela baixou a cabeça e puxou as abas do paletó para se cobrir, sentindo uma onda avassaladora de mágoa.

Talvez, nos momentos de maior fragilidade, o ser humano busque subconscientemente por proteção, ou por um mínimo de segurança.

Instintivamente, Alba deu um passo para se esconder atrás de Jefferson.

Jefferson percebeu o seu pequeno movimento e, por alguma razão, se moveu ligeiramente para o lado, bloqueando completamente a visão da mulher atrás de si.

Ao lado deles, o Sr. Fogaça pigarreou, sem graça:

— Peço desculpas, Sr. Soares, por essa cena lamentável.

Após dizer isso, lançou um olhar furioso para Rafael, que já estava com as pernas trêmulas de medo:

— O Sr. Soares chegou, você não foi recebê-lo e ainda está aqui ocupado discutindo trabalho com a sua subordinada?

— Sim... sim.

Rafael percebeu que o Sr. Fogaça lhe dava uma desculpa para se safar e, curvando-se apressado, concordou:

— Sr. Soares, mil desculpas. Estava discutindo um caso com a Alba, tivemos uma divergência de opiniões e nos exaltamos um pouco. Que vergonha.

Em seguida, ele olhou para Alba, que estava quase totalmente escondida por Jefferson:

— Não é verdade, Alba?

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