— Sr. Martins...
— Alba, você ainda quer manter o seu emprego?
Num impulso, Alba deixou escapar:
— Então eu me demito.
— Ah, é mesmo?
Rafael deu uma risada desdenhosa:
— O seu contrato com o escritório ainda tem seis meses. Você pode sair agora se quiser, mas tem como pagar a multa rescisória?
— ...
Alba cerrou os punhos.
Esse era o seu dilema.
Precisava do trabalho, mas estava sendo assediada pelo chefe.
Queria sair, mas não podia.
Até o contrato terminar, só lhe restava suportar.
— Alba, minha querida.
Rafael de repente estendeu a mão e a agarrou pela cintura:
— Você é a minha pupila, a quem eu ensinei tudo. Desde que me obedeça, eu garanto que o seu futuro será brilhante.
— Sr. Martins, por favor, me respeite.
Alba o empurrou.
No entanto, ele a puxou à força para os seus braços.
Durante o forcejeio, o colarinho e a manga da blusa dela rasgaram.
— Alba, eu gosto demais de você, deixa eu te dar um bei... Smack!
Quando os lábios dele quase tocaram o seu pescoço, Alba o empurrou violentamente.
Um tapa estalado atingiu o rosto dele com força.
— Você tem coragem de bater no seu mentor? Alba, você não quer mais trabalhar neste escritório?
Rafael, com o rosto ardendo pelo tapa, a agarrou rudemente mais uma vez.
Enquanto lutavam, ouviram batidas na porta.
Rafael olhou furioso para a porta, prestes a gritar com quem fosse, e Alba aproveitou a chance para empurrá-lo com toda a força.
Ela correu cambaleando até a entrada.
E escancarou a porta.
Acabou esbarrando contra um peito largo e firme.
O paletó largo ainda guardava o calor do corpo dele, além do aroma amadeirado misturado com um leve toque de tabaco.
Aquele cheiro, familiar até a alma, a fez lembrar das noites em que se perdia nos braços dele, trocando sussurros íntimos.
Ela baixou a cabeça e puxou as abas do paletó para se cobrir, sentindo uma onda avassaladora de mágoa.
Talvez, nos momentos de maior fragilidade, o ser humano busque subconscientemente por proteção, ou por um mínimo de segurança.
Instintivamente, Alba deu um passo para se esconder atrás de Jefferson.
Jefferson percebeu o seu pequeno movimento e, por alguma razão, se moveu ligeiramente para o lado, bloqueando completamente a visão da mulher atrás de si.
Ao lado deles, o Sr. Fogaça pigarreou, sem graça:
— Peço desculpas, Sr. Soares, por essa cena lamentável.
Após dizer isso, lançou um olhar furioso para Rafael, que já estava com as pernas trêmulas de medo:
— O Sr. Soares chegou, você não foi recebê-lo e ainda está aqui ocupado discutindo trabalho com a sua subordinada?
— Sim... sim.
Rafael percebeu que o Sr. Fogaça lhe dava uma desculpa para se safar e, curvando-se apressado, concordou:
— Sr. Soares, mil desculpas. Estava discutindo um caso com a Alba, tivemos uma divergência de opiniões e nos exaltamos um pouco. Que vergonha.
Em seguida, ele olhou para Alba, que estava quase totalmente escondida por Jefferson:
— Não é verdade, Alba?

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