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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 199

A princípio, parecia que um peso enorme tinha sido tirado de seus ombros. Alba deveria se sentir leve e aliviada.

Porém, ao ver o rosto pálido de Jefferson, com os dedos longos esfregando o cenho com força, percebeu que ele não estava bem.

Mesmo à distância, conseguia ver uma fina camada de suor brilhando em suas têmporas.

Alba não conseguia explicar a mistura de sentimentos que invadia seu coração.

De forma incomum, quando sua única vontade costuma ser fugir da presença dele, preparou uma xícara de chá quente e a colocou sobre a mesa, ao vê-lo sofrendo com aquela enxaqueca forte:

— Sr. Soares, o senhor não está se sentindo bem?

— Saia daqui!

O homem, apertando a cabeça que parecia prestes a explodir de dor, soltou um urro de descontrole.

Num movimento brusco do braço, derrubou a xícara fumegante da mesa.

A água fervente espirrou no dorso da mão de Alba.

A ardência contínua que queimava sua pele parecia marcar seu próprio coração a ferro e fogo.

Um aperto sufocante tomou conta do peito dela, a ponto de doer a cada respiração.

Alba olhou para os cacos da xícara espalhados pelo chão, baixou o olhar e deu as costas, saindo do escritório.

No entanto, assim que atravessou a porta, esbarrou em Murilo.

— Dra. Aragão, por que seus olhos estão tão vermelhos?

Murilo percebeu imediatamente que ela estava com os olhos inchados e com uma fisionomia abatida, sem conseguir evitar a pergunta.

Alba respondeu com a voz abafada:

— O Sr. Soares não me parece nada bem...

Assim que ela terminou a frase, a expressão de Murilo mudou de imediato. Ele acelerou o passo em direção à sala, murmurando para si mesmo:

— Com certeza é mais uma daquelas crises fortes de enxaqueca.

— Crises de enxaqueca...

Alba ficou paralisada, repetindo a frase com um olhar cheio de confusão e tristeza.

Desde quando ele sofria daquilo?

Distraída, voltou para sua mesa de trabalho, quando o celular tocou.

Era uma mensagem de Miguel no WhatsApp.

“Alba, minha ligação veio na hora perfeita, não acha?”

Alba franziu a testa.

“Não me chame de Alba.”

“Tudo bem, então vou te chamar de namorada.”

Vestindo um casaco luxuoso em tom caramelo e com uma maquiagem impecável, ela exalava riqueza só por estar ali parada.

Zanete soltou um suspiro de admiração:

— É isso que significa ser rica. Esse casaco que a Sra. Soares está usando custa mais do que os nossos salários de dois anos somados.

Alba permaneceu em silêncio.

Assim que desviou os olhos, o olhar cheio de rancor de Adelina veio em sua direção.

Alba fingiu que não tinha notado.

Mesmo assim, a mulher caminhou até ela.

— Dra. Aragão.

Adelina bateu levemente os dedos sobre a mesa dela. Sua postura era de total superioridade, e sua voz soou gélida.

Alba se levantou e assentiu com a cabeça.

— Sra. Soares, pode falar.

Aquele “Sra. Soares” soou como uma provocação calculada, sem trazer a Adelina qualquer satisfação; pelo contrário, soava quase repulsivo aos seus ouvidos.

Especialmente ao encarar Alba com aquela falsa postura submissa e comportada, o que só alimentava ainda mais seu ódio.

Aquela mulher exibia uma imagem gentil e inofensiva por fora, mas, na prática, estava sempre pronta para desferir um golpe fatal nas costas dos outros.

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