Alba apertou os lábios.
— Eu não tenho intimidade com ele...
— Não tem?
Zanete se inclinou para mais perto, com um sorriso enigmático:
— Então por que você não para de olhar para a sala dele?
— Eu...
— Eu entendo.
Zanete a interrompeu com uma risada.
— O Sr. Soares é lindo, rico e gostoso. Toda mulher no Grupo Soares pensa nele, e eu não sou exceção. Alba, é completamente normal que você esteja interessada no Sr. Soares.
— ...
As duas estavam em sintonia completamente diferente. Alba soltou um suspiro resignado.
Olhando para a pasta que Zanete havia enfiado em seus braços, respirou fundo, saiu do departamento jurídico e bateu à porta do escritório do CEO.
— Entre.
A palavra soou gélida lá de dentro, fazendo o coração de Alba disparar.
Ela apertou a maçaneta com força, hesitando em abrir a porta.
Temia que uma tempestade a estivesse esperando.
Ficou parada ali por mais de dez segundos. Quando estava prestes a desistir e fugir, a porta foi aberta de repente.
Jefferson estava parado diante dela, com a postura imponente e elegante, mas o rosto impassível não demonstrava nem alegria nem raiva.
Ainda assim, a forma como a encarava exalava uma frieza assustadora.
Sentindo-se culpada, Alba baixou os olhos e estendeu a pasta.
— Sr. Soares, este contrato...
Antes que ela pudesse terminar, Jefferson deu as costas e voltou para dentro do escritório.
Ao erguer os olhos, Alba viu que ele já estava afundado em sua cadeira de couro atrás da mesa.
Sem outra opção, caminhou até ali e lhe ofereceu o contrato com respeito.
— Sr. Soares, este contrato precisa da sua...
Baque.
O resto da frase morreu na garganta quando o homem deu um tapa violento na pasta, arremessando os documentos no chão.
Os olhos de Alba se arregalaram de susto.
Alba abaixou o olhar, evitando-o, mas ele agarrou suas bochechas sem delicadeza alguma, forçando-a a encará-lo nos olhos gélidos.
— Responde!
Ele rosnou as palavras.
Não foi um grito estrondoso, mas o tom reverberou com tanta força que fez o coração dela doer.
O medo fez os ombros de Alba tremerem.
Ela mordeu o lábio inferior com força e, depois de uma longa pausa, deixou escapar um som quase inaudível:
— Sim...
A voz era fraca, mas caiu como uma pedra enorme no lago congelado do coração do homem, provocando uma onda violenta.
Ele apertou o rosto delicado dela com tanta força que as pontas dos seus dedos ficaram brancas. Parecia querer esmagá-la e fundi-la aos próprios ossos. Sua voz soou ainda mais sinistra e rouca:
— Repete... o que você disse!
Alba ficou horrorizada com a face perversa e sombria que ele revelava.
Se esse método de ferir um ao outro fosse a única forma de acabar com a perseguição dele, então ela preferia mil vezes se aliar a Miguel, a pessoa que mais detestava.
Com uma pronúncia clara, respondeu pausadamente, palavra por palavra:
— Peço desculpas, Sr. Soares. Eu não deveria ter escondido do senhor que... o Miguel e eu estamos juntos.

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