Alba não respondeu de imediato. Em vez disso, retrucou com os olhos cheios de dúvida:
— Dr. Miranda, você e o Sr. Soares são amigos de infância. Por que está apunhalando-o pelas costas agora? Estou muito curiosa para saber o motivo disso.
— A Dra. Aragão sabe mesmo ir direto ao ponto.
Com um meio sorriso, Miguel deu uma longa tragada no cigarro.
— Jefferson e a esposa dele, Adelina, são meus melhores amigos. Eu quero que o casamento deles seja feliz. Se você ficar comigo, Jefferson vai desistir de você e voltar a viver bem com a Adelina.
Dito isso, lançou a Alba um olhar significativo e prosseguiu:
— Além do mais, eles têm uma filha adorável. Você também é mãe. Teria coragem de ver uma família ser destruída por sua causa?
— ...
Então era isso.
Agora Alba compreendia por que, seis anos atrás, Miguel sempre a tratava com hostilidade.
Toda vez que a via, fechava a cara e não perdia a chance de humilhá-la e debochar dela.
Chegou até a inventar uma coleção de apelidos maldosos para ela.
Acontece que Miguel era apaixonado por Adelina.
Seis anos atrás, ele estava lutando pela dor de Adelina, tratando Alba como a maior das ameaças.
E agora, para proteger o casamento de Adelina, não hesitaria em se opor ao próprio Jefferson.
Quanto a ela, não passava de uma pequena presa sendo disputada por ele e Jefferson.
Miguel a queria apenas para cortar a obsessão de Jefferson por essa substituta, forçando-o a voltar para sua família.
O amor silencioso e a proteção de Miguel por Adelina eram, de fato, comoventes.
Mas o que Alba tinha feito de errado em toda essa história?
Ela deu um sorriso amargo.
— Em nenhum momento eu tentei destruir o casamento deles.
— A sua presença e a sua própria existência, mesmo que sem intenção, já causaram um impacto real e trouxeram dor ao casamento deles.
Naquele instante, os dedos longos de Miguel ergueram o queixo de Alba.
— Alba, você tem um rosto incrivelmente lindo. É difícil para qualquer homem se controlar perto de você. Você tem coragem de jurar por Deus que, durante todo esse tempo no Grupo Soares, você e o Jefferson não tiveram nenhuma intimidade?
— Miguel, seu...
— Tudo bem, tudo bem.
O homem levantou as mãos em rendição.
— Dra. Aragão, embora a gente não tenha convivido muito, eu sei que você não é uma mulher tola e que não está do lado do Jefferson por vontade própria. Caso contrário, não estaria quebrando a cabeça para tentar sair do Grupo Soares. Não fique brava, eu só estava brincando.
— ...
Alba sabia muito bem que Miguel não estava brincando coisa nenhuma.
Ficava claro que ele a estava testando de propósito.
No entanto, a essa altura da conversa, ela já tinha formulado uma resposta.
— Dr. Miranda, é impossível eu ser sua namorada.
Depois de dizer isso, abriu a porta e se preparou para sair.
Mas, assim que a porta se abriu, Miguel esticou o braço e a fechou de volta com um tapa.
— E se for só uma parceria? Fingirmos ser um casal?

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