Com o rosto bonito marcado por alguns machucados, Miguel se aproximou de Alba, fazendo-se de vítima.
Aquela única frase serviu para confirmar o suposto “romance” entre os dois.
Alba ergueu o olhar, encarando Jefferson com uma expressão complexa.
Ele também a observava fixamente.
Parecia esperar que ela dissesse alguma coisa.
No entanto, a garganta de Alba parecia travada; no fim das contas, nenhuma palavra escapou de seus lábios.
Até que um estrondo ecoou pela sala.
A silhueta alta e elegante do homem desapareceu pela porta. Alba desviou os olhos, levemente avermelhados, e focou em Miguel, que não parava de encará-la.
— Dr. Miranda, eu não sei por que você me forçou a participar dessa encenação, e também não quero saber. Vim aqui hoje apenas para devolver uma coisa.
Depois de dizer isso, ela tirou uma caixinha de joias requintada da bolsa e a colocou sobre a mesa de centro.
— Eu nunca usei essa pulseira. Peço que o Dr. Miranda não me mande mais esse tipo de coisa para se divertir às minhas custas.
Miguel puxou um lenço de papel e limpou o sangue no canto da boca.
— Dra. Aragão, deixa de fingimento. Com o seu temperamento, se não quisesse colaborar com a minha encenação agora há pouco, teria feito um escândalo ali mesmo, não é?
Alba se levantou.
— O que você quer dizer com isso?
Miguel segurou o pulso dela, puxando-a de volta para o sofá.
— Você não aproveitou a deixa para me ajudar e afastar o Jefferson?
Com suas intenções expostas, Alba não tentou mais esconder.
— O Sr. Soares é um homem casado. Preciso manter distância dele.
— Casado?
Miguel ficou atônito por dois segundos. Em seguida, cravou os olhos em Alba e abriu um sorriso de canto.
Pelo visto, Alba não sabia que o casamento de Jefferson e Adelina era uma farsa...
Se Jefferson não havia contado, provavelmente era para evitar complicações desnecessárias sobre o acordo.
Em outras palavras... Jefferson não confiava nela.
Afinal, Alba era a Deusa da Justiça.
Fabiano já havia caído nas mãos dela antes.
E agora, Patrícia tinha sido mandada diretamente para a prisão por causa dela.
Por mais que Jefferson gostasse dela, ele não ousaria revelar o casamento falso a uma pessoa de fora antes de desvincular seus interesses dos de Adelina.
Os interesses da Família Botelho e da Família Soares estavam profundamente entrelaçados. Se a farsa viesse a público, as duas famílias seriam engolidas por um escândalo midiático.
— Do que... você está rindo?
Miguel estreitou os olhos, sorrindo com a astúcia de uma raposa, o que deixou Alba arrepiada.
— Você quer muito se livrar dele, não quer?
— Sim...
Sentindo-se num interrogatório, Alba franziu a testa e o empurrou de lado.
— Pare de enrolar. O que exatamente você quer dizer?
Miguel ergueu uma sobrancelha e sorriu.
Virou-se e encostou a figura esguia contra a porta, cruzando os braços.
— Você provavelmente não entende que tipo de pessoa o Jefferson é. O que ele quer, ele consegue. Se você pretende cortá-lo de vez da sua vida, não vai conseguir sem a minha ajuda.
Alba ficou confusa.
— Você... me ajudar? Como assim?
Miguel curvou os lábios num sorriso.
— Eu e o Jefferson crescemos juntos. Conheço a personalidade dele melhor do que ninguém. Embora todo mundo diga que ele é frio e impiedoso, ele valoriza muito os laços que tem. Carrega a culpa pela morte da irmã, Stella, há seis anos. Como você se parece com ela, ele te usa como substituta.
Alba deu um sorriso amargo.
— Então o que ele sentia pela Stella era só culpa...
Ao mencionar Stella, o tom de Miguel carregava desprezo e insatisfação.
— O interesse do Jefferson pela Stella era só novidade, um mero passatempo. Ele só se sente culpado agora porque ela morreu.

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