Jefferson se levantou e caminhou até ela.
— Eu te levo.
— Não precisa, obrigada.
O homem franziu a testa, tirou uma chave do bolso e a estendeu para ela:
— O lugar onde você mora não tem boas condições. Este é um apartamento que preparei para você. Mude-se para lá.
Alba empurrou a chave de volta com frieza:
— Não precisa se preocupar com isso, Sr. Soares. Eu já estou acostumada a morar aqui.
Jefferson tornou a enfiar a chave na mão dela:
— Não seja teimosa. Se não quer pensar em si mesma, pelo menos deveria pensar em dar um ambiente melhor para as crianças, não acha?
Aquela frase a atingiu em cheio, como agulhas finas e implacáveis.
Durante todos aqueles anos, ela realmente tinha feito de tudo para sustentar os filhos.
Mas a situação financeira continuava apertada.
Ela também queria oferecer uma vida melhor para eles. No entanto, a realidade era que, com o salário que tinha, sustentar uma criança já seria difícil; criar três significava arcar com o triplo das despesas de uma família comum. O custo de vida era alto demais.
Se não fossem os trabalhos extras que fazia para complementar a renda, ela e as crianças teriam dificuldade até para comer.
Agora, qualquer pessoa podia opinar sobre a vida dura que ela levava, menos Jefferson.
Alba devolveu a chave mais uma vez:
— Se a minha vida é boa ou ruim, isso não é da sua conta, Sr. Soares.
Depois de dizer isso, ela o empurrou para fora com toda a força e bateu a porta na cara dele.
Em seguida, seu corpo frágil se encostou à porta e escorregou lentamente até o chão, sem forças.
Ela ficou sentada ali, apática, abraçando os joelhos e escondendo o rosto entre as pernas.
Quando a dor em seu peito chegou ao limite, as lágrimas começaram a transbordar, umedecendo aos poucos o tecido de sua roupa.
O que ela não sabia era que, do outro lado da porta, Jefferson não tinha ido embora.
Naquele momento, Talles estava com o celular na mão, prestes a jogar, quando viu uma mensagem de WhatsApp enviada pelo Sr. Soares.
“Onde vocês estão?”
Por ainda ser apenas uma criança, ele não prestou atenção no horário em que a mensagem havia chegado. Sem pensar muito, respondeu:
“Em casa.”
Quando Jefferson recebeu a notificação, estava sentado em seu escritório, folheando alguns cadernos antigos da época de escola de sua irmã, Stella.
Ao ler aquela resposta atrasada, que ele achou que fosse de Alba, a frustração dentro dele diminuiu um pouco, e ele respondeu com interesse:
“O que está fazendo?”
Do outro lado, Talles espiou a mãe ocupada na cozinha, abriu a câmera, tirou uma foto casual e a enviou.
Jefferson não esperava receber uma foto.
Ficou admirando a imagem, que mostrava as costas delicadas de Alba trabalhando naquela cozinha apertada, até que de repente percebeu que havia algo errado.
Se ela estava ocupada cozinhando naquele momento, então quem tinha tirado a foto?

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