— As coisas já estão na sua casa. Se não quiser, jogue fora.
— ...
Alba observou bem as marcas daquelas sacolas; eram todos suplementos caríssimos.
Jogar aquilo fora seria o mesmo que jogar dinheiro no lixo.
Mas ela não tinha tempo para pensar nisso agora e foi direto ao ponto:
— Sr. Soares, o senhor veio me procurar por algum motivo específico hoje?
O tom do homem era frio e distante quando respondeu:
— Cuidar dos funcionários.
Aquilo era uma grande mentira.
Alba não se conteve e rebateu:
— Quando outros funcionários do Grupo Soares ficam doentes, o Sr. Soares também faz questão de ir pessoalmente à casa deles levar presentes dessa forma tão chamativa?
O homem se levantou, e sua sombra alta e pesada a cobriu por completo:
— Não. Você é uma exceção.
Enquanto falava, seus dedos longos apertaram o pequeno rosto dela, acariciando-o com cuidado, como se contemplasse uma obra de arte rara.
Uma atmosfera ambígua e carregada tomou conta do pequeno cômodo.
As bochechas de Alba coraram instantaneamente. Ela empurrou a mão dele e deu um passo para trás, mantendo uma distância segura.
Perguntou, com um leve traço de confusão na voz:
— Por que eu sou uma exceção?
O homem se inclinou, com os lábios finos quase roçando a orelha dela, e murmurou em voz baixa:
— Nós já nos beijamos e já dormimos na mesma cama. É natural que seja diferente.
— Você...
O rubor no rosto de Alba se espalhou até a base do pescoço num instante.
Ela lançou a ele um olhar de repreensão e constrangimento, e começou a expulsá-lo:
— Sr. Soares, já que não há mais nada a tratar, por favor, vá embora.
O homem soltou uma risada fria:
— Você não estava me chamando de primo com tanta naturalidade agorinha mesmo? Dra. Aragão, é assim que você trata o seu primo?
Ele repetia a palavra primo o tempo todo, e o tom da voz carregava um sarcasmo evidente.
Assustada mais uma vez por aquela atitude repentina, Alba acabou chamando-o diretamente pelo nome.
O homem parou por um instante. Então apertou ainda mais a mão na cintura fina dela, fazendo-a se recostar em seu peito.
A postura, o clima... tudo estava íntimo demais.
O rosto de Alba queimava. Suas mãos pequenas empurravam o peito dele enquanto ela o fuzilava com um olhar indignado e envergonhado:
— Sr. Soares, você... hum.
Antes que pudesse terminar a frase, o homem segurou a nuca dela, abaixou a cabeça, tomou os lábios da mulher e a beijou profundamente.
No instante em que os lábios dos dois se tocaram, a mente de Alba ficou completamente em branco.
Ela parou, sem reação. Quando percebeu que todo o ar estava sendo sugado dela e que quase não conseguia respirar, reagiu e o empurrou com todas as forças.
Infelizmente, sua força não se comparava à dele.
Ela acabou afundando nos braços dele, sendo beijada de forma avassaladora.
— Stella...
No auge do beijo, a respiração do homem ficou pesada, e ele, como se estivesse fora de si, chamou mais uma vez aquele nome.
Alba abriu os olhos, vermelhos e marejados. Ao vê-lo tão perto, beijando-a com uma paixão aparentemente intensa, sentiu o coração se rasgar de dor.

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