Assim que terminou de falar, Alba avistou um táxi parado na beira da calçada. Ignorando a dor no bolso, correu até lá, abriu a porta e entrou.
Pegou emprestado o carregador do motorista para ligar o celular.
Enquanto isso, Jefferson permaneceu imóvel no mesmo lugar, com o olhar submerso em melancolia.
Ficou parado por um longo tempo.
Nem mesmo percebeu quando uma chuva fina e insistente começou a cair.
A água fria encharcou seu terno lentamente, e as gotas escorriam das pontas de seus cabelos, caindo sobre o rosto pálido e extremamente severo.
Ele parecia tão silencioso quanto uma fera encurralada, ferida e à beira da morte.
Até que Murilo se aproximou e abriu um guarda-chuva preto sobre a cabeça dele:
— Sr. Soares, vamos entrar no carro.
Os cílios do homem, pesados com as gotas de chuva, moveram-se levemente, e ele pareceu recuperar um fio de vida:
— Ela se parece com ela?
Murilo Lancellotti sabia, é claro, que a "ela" a quem o Sr. Soares se referia era Stella Soares.
Ele havia observado com atenção momentos antes.
Não se pareciam em nada.
Criando coragem, Murilo a ousou lembrá-lo:
— Sr. Soares, a Stella Soares não ouvia e também não conseguia falar...
O homem ergueu o rosto, permitindo que a chuva fria lavasse o calor úmido que transbordava do fundo de seus olhos:
— Eu sei, ela não é a Stella. Vamos embora.
Murilo olhou para a pessoa estendida no chão e perguntou:
— E o que fazemos com este sujeito?
— Ele tem a boca muito suja, serve bem para ser mudo.
— Entendido.
O Rolls-Royce entrou na via expressa.
Talvez por causa da chuva, o interior do veículo parecia sufocante, quase tirando o fôlego.
Jefferson colocou o bolo de lado, abaixou o vidro pela metade, afrouxou a gravata com uma só mão e tirou um cigarro, levando-o aos lábios.
O vento e a garoa entravam pela janela. Ele abaixou a cabeça, protegendo a chama azul do isqueiro, e acendeu o cigarro, tragando profundamente.
A fumaça azulada se espalhou, embaçando o rosto excessivamente frio e úmido do homem.
Era impossível adivinhar o que se passava em sua mente.
Murilo lançou-lhe um olhar cauteloso pelo espelho retrovisor:
— Sr. Soares, o patriarca já soube do assunto envolvendo o Sr. Fabiano Botelho. A instrução do idoso é que, em consideração à Família Botelho, devemos protegê-lo a todo custo.
Uma sombra cobriu o semblante do homem:
No sétimo andar, sem elevador.
As escadas não tinham iluminação.
Ela ligou a lanterna do celular para subir os sete lances e, antes de entrar, tirou a peruca. Só então pegou as chaves na bolsa para abrir a porta.
Assim que ela entrou, Renata veio ao seu encontro, mastigando sementes de abóbora.
Ao ver as roupas provocantes que Alba vestia, estreitou os olhos e reclamou:
— Olha só, Alba, a gente tinha combinado que eu saía do serviço às nove e meia da noite. Olha a hora, já são quase onze!
Alba explicou com uma expressão de desculpas:
— Sinto muito, Renata. Tive um imprevisto hoje e acabei me atrasando. Na próxima vez chegarei no horário, sem falta. Não vou mais tomar o seu tempo.
— Olha, eu não vou mais fazer esse serviço. É melhor você procurar outra pessoa.
Ouvindo isso, Alba pegou o celular e enviou um Pix de vinte e cinco reais para ela:
— Estou te pagando o equivalente a essas duas horas de atraso, pode ser?
Renata recebeu o dinheiro na hora, mas sua atitude não suavizou:
— É melhor você arrumar logo outra diarista. Eu não quero me envolver com gente que ganha a vida como você. Sou uma viúva de reputação limpa há meia vida, e não quero que você suje o meu nome.
Quando Alba ia abrir a boca para se explicar, uma garotinha adorável saiu correndo do quarto, encarando Renata com uma expressão fofa, mas brava:
— Não pode falar mal da minha mãe! A minha mãe é advogada!

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