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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 17

Assim que terminou de falar, Alba avistou um táxi parado na beira da calçada. Ignorando a dor no bolso, correu até lá, abriu a porta e entrou.

Pegou emprestado o carregador do motorista para ligar o celular.

Enquanto isso, Jefferson permaneceu imóvel no mesmo lugar, com o olhar submerso em melancolia.

Ficou parado por um longo tempo.

Nem mesmo percebeu quando uma chuva fina e insistente começou a cair.

A água fria encharcou seu terno lentamente, e as gotas escorriam das pontas de seus cabelos, caindo sobre o rosto pálido e extremamente severo.

Ele parecia tão silencioso quanto uma fera encurralada, ferida e à beira da morte.

Até que Murilo se aproximou e abriu um guarda-chuva preto sobre a cabeça dele:

— Sr. Soares, vamos entrar no carro.

Os cílios do homem, pesados com as gotas de chuva, moveram-se levemente, e ele pareceu recuperar um fio de vida:

— Ela se parece com ela?

Murilo Lancellotti sabia, é claro, que a "ela" a quem o Sr. Soares se referia era Stella Soares.

Ele havia observado com atenção momentos antes.

Não se pareciam em nada.

Criando coragem, Murilo a ousou lembrá-lo:

— Sr. Soares, a Stella Soares não ouvia e também não conseguia falar...

O homem ergueu o rosto, permitindo que a chuva fria lavasse o calor úmido que transbordava do fundo de seus olhos:

— Eu sei, ela não é a Stella. Vamos embora.

Murilo olhou para a pessoa estendida no chão e perguntou:

— E o que fazemos com este sujeito?

— Ele tem a boca muito suja, serve bem para ser mudo.

— Entendido.

O Rolls-Royce entrou na via expressa.

Talvez por causa da chuva, o interior do veículo parecia sufocante, quase tirando o fôlego.

Jefferson colocou o bolo de lado, abaixou o vidro pela metade, afrouxou a gravata com uma só mão e tirou um cigarro, levando-o aos lábios.

O vento e a garoa entravam pela janela. Ele abaixou a cabeça, protegendo a chama azul do isqueiro, e acendeu o cigarro, tragando profundamente.

A fumaça azulada se espalhou, embaçando o rosto excessivamente frio e úmido do homem.

Era impossível adivinhar o que se passava em sua mente.

Murilo lançou-lhe um olhar cauteloso pelo espelho retrovisor:

— Sr. Soares, o patriarca já soube do assunto envolvendo o Sr. Fabiano Botelho. A instrução do idoso é que, em consideração à Família Botelho, devemos protegê-lo a todo custo.

Uma sombra cobriu o semblante do homem:

No sétimo andar, sem elevador.

As escadas não tinham iluminação.

Ela ligou a lanterna do celular para subir os sete lances e, antes de entrar, tirou a peruca. Só então pegou as chaves na bolsa para abrir a porta.

Assim que ela entrou, Renata veio ao seu encontro, mastigando sementes de abóbora.

Ao ver as roupas provocantes que Alba vestia, estreitou os olhos e reclamou:

— Olha só, Alba, a gente tinha combinado que eu saía do serviço às nove e meia da noite. Olha a hora, já são quase onze!

Alba explicou com uma expressão de desculpas:

— Sinto muito, Renata. Tive um imprevisto hoje e acabei me atrasando. Na próxima vez chegarei no horário, sem falta. Não vou mais tomar o seu tempo.

— Olha, eu não vou mais fazer esse serviço. É melhor você procurar outra pessoa.

Ouvindo isso, Alba pegou o celular e enviou um Pix de vinte e cinco reais para ela:

— Estou te pagando o equivalente a essas duas horas de atraso, pode ser?

Renata recebeu o dinheiro na hora, mas sua atitude não suavizou:

— É melhor você arrumar logo outra diarista. Eu não quero me envolver com gente que ganha a vida como você. Sou uma viúva de reputação limpa há meia vida, e não quero que você suje o meu nome.

Quando Alba ia abrir a boca para se explicar, uma garotinha adorável saiu correndo do quarto, encarando Renata com uma expressão fofa, mas brava:

— Não pode falar mal da minha mãe! A minha mãe é advogada!

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