Os cabelos longos estavam presos de forma despojada com um grampo simples atrás da cabeça. Seus traços delicados sempre passavam a imagem de uma beleza sutil, de alguém que não precisava competir por atenção.
Parecia um coelhinho manso e inofensivo.
Ao vê-lo, mesmo estando visivelmente tímida e nervosa, ela sempre tentava manter uma postura calma e controlada.
Assim como naquele momento, em que caminhou até a frente dele, parando de forma tão rígida que seus dedos quase perfuravam o tecido da pasta de trabalho que segurava.
— Sr. Soares...
Jefferson ergueu levemente o queixo.
— Sente-se.
Depois que Alba se sentou, o garçom trouxe uma fatia de bolo lindamente decorada e a colocou diante dela.
Alba apenas deu uma olhada rápida, desviou o olhar, tirou o notebook da bolsa e foi direto ao ponto:
— Sr. Soares, você mencionou antes que havia alguns pontos que precisavam ser revisados. Quais seriam as cláusulas específicas? Se puder me indicar, faço as alterações agora mesmo.
Jefferson agiu como se não a tivesse escutado. Estendeu a mão e empurrou o pratinho com o bolo um pouco mais na direção dela:
— Coma primeiro. Depois trabalhamos.
Os dedos de Alba, que já estavam sobre o teclado, se contraíram.
— Obrigada, mas não estou com fome.
Ele pegou a xícara de café e deu um gole.
— Já jantou com o Leôncio?
— ...
Alba ficou em silêncio por dois segundos, olhando para a grande janela de vidro do café.
Ela imaginou que ele devia tê-la visto descendo do carro de Leôncio agora há pouco.
Como não queria causar mal-entendidos desnecessários, explicou:
— O Sr. Oliveira só me deu uma carona porque era caminho. Não comemos juntos durante o trajeto.
Ao ouvir aquela resposta, o homem ergueu uma das sobrancelhas.
— Já que você não jantou, isso é perfeito. É o seu bolo favorito.
Alba notou que o bolo tinha pedaços de manga, e seu coração deu um salto.
Ela era alérgica a manga, e ele justamente pediu um bolo de manga...
Observando a atitude tímida, mas teimosa da mulher, Jefferson sorriu levemente:
— A Stella não se importava. Ela adorava doces, especialmente bolo.
— Adorava bolo?
Alba deu uma risada fria, e a timidez em seu olhar foi gradualmente substituída por uma frieza cortante:
— Sr. Soares, você já parou para pensar que talvez a sua... irmãzinha não gostasse realmente de comer bolo, e que fizesse isso por outros motivos?
Ela realmente não gostava de doces.
No ensino médio, depois de sofrer bullying, ela começou a devorar doces simplesmente para ganhar peso e ficar gorda.
Quando estava com Jefferson, ela vivia pisando em ovos, colocando as emoções e os desejos dele acima de tudo, com medo de que ele achasse que ela não era obediente o suficiente. Por isso, nunca teve coragem de expressar suas próprias opiniões ou necessidades.
Sempre que ele comprava os bolos mais caros e bonitos para ela, ela fingia estar muito feliz.
Mas ele não sabia que, a cada pedaço de bolo que ela comia, as cicatrizes do bullying que havia sofrido eram reabertas em sua mente.
Enquanto seus pensamentos viajavam para longe, a voz fria e indiferente de Jefferson a trouxe de volta:
— Eu conhecia a Stella melhor do que ninguém. Eu sei perfeitamente do que ela gostava e do que não gostava.

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