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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 130

Os cabelos longos estavam presos de forma despojada com um grampo simples atrás da cabeça. Seus traços delicados sempre passavam a imagem de uma beleza sutil, de alguém que não precisava competir por atenção.

Parecia um coelhinho manso e inofensivo.

Ao vê-lo, mesmo estando visivelmente tímida e nervosa, ela sempre tentava manter uma postura calma e controlada.

Assim como naquele momento, em que caminhou até a frente dele, parando de forma tão rígida que seus dedos quase perfuravam o tecido da pasta de trabalho que segurava.

— Sr. Soares...

Jefferson ergueu levemente o queixo.

— Sente-se.

Depois que Alba se sentou, o garçom trouxe uma fatia de bolo lindamente decorada e a colocou diante dela.

Alba apenas deu uma olhada rápida, desviou o olhar, tirou o notebook da bolsa e foi direto ao ponto:

— Sr. Soares, você mencionou antes que havia alguns pontos que precisavam ser revisados. Quais seriam as cláusulas específicas? Se puder me indicar, faço as alterações agora mesmo.

Jefferson agiu como se não a tivesse escutado. Estendeu a mão e empurrou o pratinho com o bolo um pouco mais na direção dela:

— Coma primeiro. Depois trabalhamos.

Os dedos de Alba, que já estavam sobre o teclado, se contraíram.

— Obrigada, mas não estou com fome.

Ele pegou a xícara de café e deu um gole.

— Já jantou com o Leôncio?

— ...

Alba ficou em silêncio por dois segundos, olhando para a grande janela de vidro do café.

Ela imaginou que ele devia tê-la visto descendo do carro de Leôncio agora há pouco.

Como não queria causar mal-entendidos desnecessários, explicou:

— O Sr. Oliveira só me deu uma carona porque era caminho. Não comemos juntos durante o trajeto.

Ao ouvir aquela resposta, o homem ergueu uma das sobrancelhas.

— Já que você não jantou, isso é perfeito. É o seu bolo favorito.

Alba notou que o bolo tinha pedaços de manga, e seu coração deu um salto.

Ela era alérgica a manga, e ele justamente pediu um bolo de manga...

Observando a atitude tímida, mas teimosa da mulher, Jefferson sorriu levemente:

— A Stella não se importava. Ela adorava doces, especialmente bolo.

— Adorava bolo?

Alba deu uma risada fria, e a timidez em seu olhar foi gradualmente substituída por uma frieza cortante:

— Sr. Soares, você já parou para pensar que talvez a sua... irmãzinha não gostasse realmente de comer bolo, e que fizesse isso por outros motivos?

Ela realmente não gostava de doces.

No ensino médio, depois de sofrer bullying, ela começou a devorar doces simplesmente para ganhar peso e ficar gorda.

Quando estava com Jefferson, ela vivia pisando em ovos, colocando as emoções e os desejos dele acima de tudo, com medo de que ele achasse que ela não era obediente o suficiente. Por isso, nunca teve coragem de expressar suas próprias opiniões ou necessidades.

Sempre que ele comprava os bolos mais caros e bonitos para ela, ela fingia estar muito feliz.

Mas ele não sabia que, a cada pedaço de bolo que ela comia, as cicatrizes do bullying que havia sofrido eram reabertas em sua mente.

Enquanto seus pensamentos viajavam para longe, a voz fria e indiferente de Jefferson a trouxe de volta:

— Eu conhecia a Stella melhor do que ninguém. Eu sei perfeitamente do que ela gostava e do que não gostava.

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