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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 107

Alba tinha acabado de sair do departamento jurídico quando o telefone tocou.

Ela voltou para atender, e a voz fria de Jefferson soou do outro lado da linha:

— Dra. Aragão, venha ao meu escritório.

Os nervos de Alba ficaram instantaneamente à flor da pele. Depois de responder um apressado "Sim, senhor", ele desligou.

O expediente já havia terminado, e ela não fazia ideia do porquê de ele chamá-la.

Desde aquela noite em que ele propusera o acordo, estar no mesmo ambiente que ele se tornara incrivelmente constrangedor.

E também causava-lhe apreensão.

Ela tinha muito medo de que ele usasse sua posição de chefia para, mais uma vez, ultrapassar os limites com ela.

Instintivamente, tocou os lábios.

Parecia que o cheiro e a intensidade da respiração dele se emaranhando com a dela naquela noite ainda estavam vivos na memória...

Só de pensar nisso, a sua própria respiração vacilou.

Ao entrar no escritório da presidência, parecia estar marchando para a guerra.

Manteve-se o mais distante possível da mesa dele.

— Sr. Soares, quais são as suas ordens?

Ela perguntou, inquieta.

Jefferson folheou um documento que tinha em mãos e o estendeu para ela:

— Tenho um jantar de negócios esta noite. Revise este contrato e me entregue pronto.

Alba ficou atônita:

— Agora?

O homem ainda segurava o documento no ar. Vendo-a se manter tão distante, como se preferisse estar a quilômetros dali, e com uma evidente insatisfação no rosto pela hora extra inesperada, ele não pôde deixar de franzir a testa:

— Falei grego? Ou prefere que eu caminhe até aí e entregue o documento pessoalmente nas suas mãos?

Alba balançou a cabeça em pânico ao ouvir isso.

Caminhou até ele, pegou o arquivo e mordeu os lábios para se explicar:

— Sr. Soares, como pediu essa hora extra de última hora, não tive tempo de organizar as coisas em casa, então... será que outra pessoa não poderia ajudá-lo...

Ao chegar ao fim da frase, a sua voz foi diminuindo até virar um sussurro.

Jefferson encostou-se preguiçosamente na cadeira, cruzou os braços e a observou com diversão contida:

— "Organizar as coisas em casa"... O que você quer dizer com isso?

Alba foi franca:

— Preciso ir à escolinha pegar as crianças antes das oito e meia...

O homem ergueu uma sobrancelha, fazendo uma pergunta para a qual já tinha a resposta:

— Pelo visto, o seu namorado inútil não existe.

Como o assunto foi parar em pretendentes?

Jefferson estreitou os olhos levemente:

— A Dra. Aragão não está em um aplicativo procurando um parceiro?

— ...

Alba ficou ainda mais confusa.

Pensou consigo mesma se alguém na empresa estaria espalhando fofocas sobre ela.

E ainda por cima fofocas que chegaram aos ouvidos de Jefferson?

Mas, não importava.

Ela já não tinha ouvido todo tipo de boato absurdo na época da Capital & Compliance Advogados?

Com esse pensamento, teve uma ideia e decidiu embarcar naquele "mal-entendido":

— Sim... eu estou procurando um namorado recentemente.

Dizer isso talvez fizesse Jefferson manter distância dela...

Ela manteve a cabeça baixa, maquinando mentalmente o seu plano e parabenizando-se por sua resposta rápida e inteligente, quando Jefferson se levantou e caminhou até parar bem na sua frente.

Sentindo o peso daquele olhar opressivo e dominante, Alba ergueu o rosto, assustada.

Entrou em pânico e deu um passo para trás.

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