A secretária continuava em silêncio.
Ângela andava furiosa pelo escritório, seus saltos altos estalando alto sobre os cacos de vidro espalhados pelo chão.
"Trriiim trriiim..."
O telefone fixo e o celular não paravam de tocar.
Inúmeras ligações chegavam ao mesmo tempo.
"Ah!"
Ângela, num acesso de raiva, atirou o telefone longe.
Cecília!
A culpa era toda da Cecília!
Se não fosse Cecília ter se envolvido nesse projeto, ela nunca teria mandado a equipe espalhar aquela notícia!
Nada disso teria acontecido!
A secretária permaneceu esperando ao lado, só se manifestando depois que Ângela descontou toda a sua raiva destruindo o que estava ao alcance: "Srta. Cruz, o que devemos fazer agora?"
"E quanto à Cecília, nós..."
A secretária não completou a frase, mas a intenção era clara.
"Ela só teve sorte!" gritou Ângela, "Ela nem fazia ideia de que Ubaldo queria sair da empresa, então investiu junto com Gustavo por acaso, e foi pura coincidência que Ubaldo acabou não saindo!"
Sim, só podia ser isso!
Quanto mais pensava, mais Ângela se convencia dessa versão.
Cecília ainda tinha investido pesado em ouro e cobre, justamente porque achava que aquele dinheiro já estava perdido e queria arriscar tudo para tentar reverter?
A própria Cecília tinha certeza de que já tinha perdido, aquela cara péssima ao desembarcar não foi fingimento.
Dessa vez foi apenas sorte.
Não tinha nada a ver com competência da Cecília!
"Além do mais, foi só porque o pessoal não saiu da empresa, e era só um pedido pequeno de dez milhões, isso não afeta em nada." Ângela falou entre os dentes. "O Grupo Cruz tem projetos muito maiores."
A secretária, assustada, concordou rapidamente: "Isso mesmo, é só um projeto pequeno de pouco capital, não significa nada. Só empresas pequenas como a Algoritmo acham isso importante."
Ao ouvir isso, Ângela se sentiu um pouco mais confortável.
"Segundo irmão, o que foi mesmo que você disse agora há pouco?" Gustavo adorava tripudiar sobre quem já estava por baixo.
"Não confie demais na Cecília?", Gustavo imitou o tom de Vicente, irônico, claramente provocando, "Com medo de passar vergonha?"
"Gustavo Simões!" Vicente se levantou de repente, parecendo prestes a partir para a briga.
Gustavo deu de ombros e se escondeu atrás do avô Simões: "Ah, calma, segundo irmão, não precisa perder a compostura, seja mais tranquilo."
Gustavo, famoso por seu temperamento explosivo, aconselhando os outros a terem calma.
Vicente parecia prestes a explodir de raiva.
"É melhor você torcer para continuar tendo sorte!" Vicente jogou essa frase e saiu de cena.
Na sala restaram apenas Gustavo e o avô Simões.
O avô Simões lançou um olhar para Gustavo.
Gustavo apressou-se a contar tudo o que Cecília havia lhe dito.
"Vovô, não foi como o Vicente falou." Depois de terminar, Gustavo ainda acrescentou: "Foi a Cecília quem resolveu o problema. Caso contrário, quem quisesse sair teria saído mesmo assim, nada teria mudado."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caráter Nobre do Amor: O Preço da Falsidade
Poderiam atualizar os últimos capítulos, por favor?...