Ava segura a caneta com firmeza entre os dedos. Seus olhos percorrem novamente a última cláusula, como se quisesse ter certeza de que estava no controle. E, no fundo, acreditava que estava, pois sempre se achou uma mulher muito esperta.
Então, ela assente levemente com a cabeça.
— Está tudo certo — diz, firme, como quem selava um acordo sob seus próprios termos. — Eu concordo.
Sem hesitar mais, assina o contrato com uma assinatura segura e decidida. E, naquele instante, achava que aquilo a blindava, que aquela assinatura era o início de seus planos e vingança.
Enquanto ela escreve, Hector a observa em silêncio.
De braços cruzados, parado à frente da mesa, ele acompanha cada movimento com os olhos fixos nela. Mas seu olhar não entrega nada. Não há sorrisos, nem arrogância evidente. Apenas um silêncio indecifrável, quase educado… que ocultava tudo o que realmente se passava dentro dele.
Por fora, ele parecia apenas atento.
Mas, por dentro, Hector já projetava mentalmente tudo o que ganharia com aquele acordo. Visualizava os novos contratos sendo fechados com facilidade, os clientes influentes que se aproximariam, os jantares envoltos em política e estratégia, onde cada brinde esconderia uma proposta. As conexões viriam naturalmente.
Quando ela entrega finalmente a caneta sobre o contrato assinado, ergue o olhar para ele.
— Pronto. Agora é oficial.
Hector leva alguns segundos antes de responder. Seus olhos a encaram com intensidade, mas o tom é brando, quase gentil.
— Sim… oficial.
Ele sorri de leve, mas Ava não consegue decifrar o que há por trás daquele sorriso. Ela só sabe que, de alguma forma, ele parece satisfeito demais.
E, no fundo, uma parte dela também está satisfeita, mesmo que não saiba ao certo o real motivo.
Hector se afasta apenas o suficiente para recolher o contrato assinado, dobrando-o com calma. Em seguida, volta o olhar para ela.
— Um juiz de paz, amigo meu, já está a caminho. Ele vai oficializar tudo discretamente — diz, como se estivesse apenas falando sobre um detalhe comum da rotina.
Ava estreita os olhos.
— E depois disso? O que acontece?
Ele a encara por um segundo, e então dá um passo à frente. A aproximação faz Ava prender a respiração por um breve instante, mesmo que tente disfarçar. Hector se inclina até o ouvido dela, com aquele meio sorriso que sempre carregava um veneno doce, e sussurra:
— Se quiser… podemos quebrar uma cláusula.
Virando o rosto devagar para encará-lo, Ava sente o calor subir até o pescoço. Ele estava lhe provocando como sempre, jogando com o que imaginava que fosse o seu ponto fraco.
Mas ela não recua.
Sorrindo de canto, com o mesmo veneno que ele usava, declara:
— Quer mesmo fazer isso na primeira noite?
Ele ri baixinho, como se estivesse se divertindo mais do que deveria.
— Se você permitir, eu não me importo nem um pouco — sussurra e se afasta com calma, deixando no ar aquela mistura de desafio e desejo.

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