Sentindo ainda o efeito do sonho perturbador com Hector, Ava só consegue adormecer quando o céu já começa a clarear. Às oito da manhã, a porta do quarto se abre devagar e Doris entra com uma bandeja de café da manhã nas mãos. Ao ver que Ava ainda dorme, se surpreende. Ela raramente ficava na cama até tão tarde.
Preocupada, Doris se aproxima e toca a testa dela com a palma da mão, checando se havia febre. A pele de Ava, porém, está morna e normal. No entanto, ao sentir o toque, Ava se remexe, abrindo os olhos lentamente, confusa, até se dar conta de onde está.
— Bom dia, Ava — Doris a cumprimenta com um sorriso gentil.
— Bom dia, Doris — ela responde, com a voz ainda arrastada de sono.
— Não queria te acordar, mas estranhei você ainda estar dormindo a essa hora.
Ava se espreguiça devagar e suspira.
— É que não consegui dormir à noite — admite, esfregando os olhos.
— Ah, não? — Doris pergunta, agora com a expressão cheia de preocupação. — Aconteceu alguma coisa?
— Não, não aconteceu nada — responde depressa, quase atropelando as palavras, querendo evitar a todo custo pensar em Hector Moreau logo pela manhã.
Mesmo não insistindo, Doris lança-lhe um olhar desconfiado.
— E o que achou do banho na piscina? — pergunta então, com um sorriso caloroso.
Fechando os olhos por um instante, Ava respira fundo, tentando manter o controle.
— Não quero falar sobre isso agora, pode ser? — pede, jogando as cobertas de lado e se levantando.
— Tudo bem — Doris diz com suavidade — vou aproveitar e arrumar a sua cama enquanto você toma banho.
Caminhando até o banheiro, Ava sente o corpo ainda pesado. Ao entrar, seus olhos caem no cesto de roupa suja. No topo, lá estava a toalha — aquela maldita toalha — que ela e Hector haviam dividido na noite anterior.
Ela aperta os olhos com força e sussurra para si mesma:
— Para de pensar naquele homem, pelo amor de Deus!
Indo até o chuveiro, deixa a água quente cair sobre seus ombros, tentando relaxar. No entanto, conforme ensaboa o corpo, flashes do sonho invadem sua mente sem piedade — o calor do toque, o peso dos beijos, a provocação dele.
— Maldito… até nos meus sonhos resolve se meter — resmunga, frustrada.
Depois do banho, veste uma roupa leve e confortável, escolhida entre as peças novas que Hector havia providenciado para ela. A sensação de estar usando algo que ele comprou a incomoda mais do que deveria, mas não tem energia para se importar com isso agora.
Sentando-se à mesa para tomar o café, ela observa Doris amarrar as cortinas, trazendo mais luz para o quarto.
Sem pensar muito, pergunta:
— Você tem notícias da Charlotte?
Parando o que está fazendo, Doris se vira para ela, surpresa.
— Não. Nunca mais a vi — responde, com um tom melancólico na voz.
Mordiscando o pão, Ava pensa por um instante antes de arriscar:
— Será que, se eu pedisse para o Hector, ele deixaria que ela voltasse aqui?
Doris a encara por um momento, como se pesasse suas palavras, mas não responde de imediato.
— Talvez agora ele permita — diz, num tom cuidadoso. — Agora que você já se lembra de tudo…
— Vou conversar com ele — comenta. — Você sabe se ele já acordou?
— Ah, sim, o Hector sempre acorda cedo para se exercitar.
— É por isso que ele tem aquele físico — murmura, lembrando do peitoral dele.
— O que disse? — questiona Doris com a testa franzida.

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