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Caminho traçado: Resgatada pelo inimigo romance Capítulo 17

Ava sente uma agitação interna crescente, e esse sentimento se intensifica a cada minuto na presença de Charlotte. As perguntas se acumulam dentro dela, que queria muito alguém que a ajudasse naqueles questionamentos.

— Eu não vejo a sua família há muito tempo, Ava. — Charlotte tenta manter a voz neutra enquanto responde.

— Mas você tem ao menos o contato deles? — insiste, esperançosa.

— Não, eu nunca fui próxima de sua família. — A mentira escorrega fácil de sua boca, mas o peso dela parece ficar no ar.

— Então, como você me conhece? — A curiosidade de Ava não encontra limites.

Hesitando, Charlotte busca uma desculpa razoável.

— Eu trabalhei como faxineira na faculdade onde seu pai estudou. Com a convivência, acabei me tornando uma conhecida. Alguns anos depois, eu vi o seu pai com você no colo e, por educação, ele me apresentou você.

Processando a resposta, Ava fica claramente frustrada. Esperava mais, algo que a conectasse ao passado ou lhe causasse um fluxo de memória. Sem mais perguntas, ela se deita na cama, com o olhar perdido no teto. Seu corpo está exausto, mas a mente não consegue descansar, trancada naquele quarto, isolada do mundo exterior.

— Me diz uma coisa, Charlotte. — Ela vira o rosto novamente para a enfermeira, que se aproxima da cama. Como sua mente não consegue parar, decide perguntar sobre coisas que poderiam fazer algum sentido. — Você viu as notícias sobre o meu acidente na televisão?

— Vi somente uma matéria num jornal. Não costumo assistir televisão. — A resposta vem rápida, quase ensaiada.

— O que você leu?

— Ouvi dizer que você perdeu o controle do veículo e caiu num desfiladeiro, indo parar no mar.

O coração de Ava pesa. Aquela história b**e com a versão de Hector, mas algo dentro dela grita que há mais por trás daquelas palavras.

— Eu não me lembro de nada disso. — Ava suspira, demonstrando o quanto a falta de informação a deixa perdida. — E não faço ideia de como consegui me salvar.

— Seu noivo não te contou? — Charlotte sonda, cautelosa.

— Ele disse que estava passando por perto no exato momento e me resgatou. — revela.

— Sorte a sua. — Charlotte força um sorriso, mas por dentro, uma sombra de dúvida persiste.

— Por acaso, pode me emprestar o seu celular? — Ava pede. — Queria muito pesquisar sobre o meu acidente, mas Hector e Doris não me deixam.

— Sinto muito, Ava, mas o senhor Moreau deixou claro que é para manter você longe das redes sociais, para o seu próprio bem. — Explica, embora ela mesma julgue que aquilo é um pouco extremo.

— Sei que ele quer me proteger de muitas informações, mas ficar isolada do mundo me preocupa. Mesmo que eu não queira, sinto que Hector está escondendo algo de mim.

Charlotte se aproxima e se senta numa poltrona ao lado da cama.

— Escuta, por que não tenta recuperar sua memória logo? Talvez assim, todas as suas respostas sejam respondidas.

— Você acha mesmo que eu não quero isso? — responde, um pouco impaciente. — Mas, no momento, isso está fora do meu controle. A única coisa que tenho para tentar recuperar um pouco do meu passado é o que Hector me conta e aquele álbum de fotos — diz, apontando para algo.

Charlotte segue o dedo indicador de Ava até o álbum em cima do aparador.

— Posso ver as fotos?

— Claro, fique à vontade.

Enquanto folheia o álbum, percebe que as fotos revelam um Hector caloroso, bem diferente do mesmo homem frio que ela notou há poucos minutos próximo de Ava.

— Vocês parecem ser muito felizes.

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