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Brindou a Outra, Enterrei o Passado romance Capítulo 8

— Aline!

Isadora gritou com força, e as lágrimas caíram pelo seu rosto. Sentia como se algo estivesse preso em seu peito, sufocando a ponto de dificultar a respiração.

Ela sabia.

Sabia que sua Aline tinha partido, que voltara para o céu. Veio a este mundo, viu este mundo, mas não gostou. Ficou decepcionada com tudo e todos, então decidiu ir embora para nunca mais voltar.

Abraçando a filha nos braços, ela tremia:

— Aline, me perdoa! Me perdoa!

Suas mãos vacilantes seguravam o rostinho sem vida da menina, beijando-o uma vez, outra e outra...

A culpa era dela, ela insistiu em ficar com Olavo.

Foi egoísta.

Era uma péssima mãe. Não merecia ter Aline.

E agora, sua filha nunca mais voltaria.

Com a dor cortando sua alma, Isadora respirou fundo, tentando manter a calma. Com suas próprias mãos, lavou e vestiu Aline com o vestido rosa de princesa que ela mais amava. Queria que sua menina partisse linda, impecável. No último momento, faria o melhor para sua filha.

Os médicos e enfermeiros gostavam muito de Aline. Ela era um pequeno anjo. Agora, todos estavam comovidos. Algumas enfermeiras também enxugavam as lágrimas.

Mas Isadora, a mãe que acabara de perder sua filha, já não conseguia mais chorar.

Ao ver as meninas chorando, ela até esboçou um sorriso suave e disse baixinho:

— Obrigada por cuidarem da Aline durante todo esse tempo.

Uma enfermeira olhou para ela, preocupada:

— Sra. Isadora, a senhora... tá tudo bem?

Quem perde uma filha e ainda consegue sorrir?

Era assustador.

Isadora não disse mais nada. Pegou os últimos 20 mil reais que lhe restavam e comprou uma urna cor-de-rosa. Aline adorava essa cor. Foi a última coisa que pôde fazer por ela.

Levando consigo as cinzas da filha, Isadora voltou para aquela casa fria e sem vida. Precisava arrumar as coisas de Aline e partir com ela.

Mas, ao chegar na porta, encontrou alguém que não queria ver.

O responsável por todas as suas desgraças. O verdadeiro culpado.

Segurando a urna com força, Isadora falou entre dentes, o olhar carregado de ódio:

— Jorge, o que está fazendo aqui?

— Que jeito é esse de falar comigo? Sou seu tio!

Jorge se aproximou com um sorriso cínico, mas, ao ver o que Isadora carregava nos braços, ficou paralisado:

— Isso... o que é isso?

— Aline já se foi.

A voz de Isadora saiu fria, sem emoção. Como se estivesse falando da filha de outra pessoa.

— O quê?! Como assim? Essa menina era muito fraca! Morreu assim, do nada?

Pensando um pouco, ele resmungou, indignado:

— Não pode ser! Isso não pode ficar assim! Vou atrás do Olavo! Ele vai ter que pagar!

Mas isso não por Aline.

Ele sequer demonstrou tristeza. Só pensava em dinheiro, e quanto conseguiria arrancar dessa tragédia.

— Jorge, minha mãe já morreu. A partir de hoje, você também está morto para mim.

— Estou sozinha. Vou me divorciar. Não tenho mais dinheiro para te dar. Agora, vá embora.

Isadora estava esgotada, finalmente enxergou tudo com clareza.

Família? Só facas apontadas para o seu peito.

Jorge começou a xingar:

— O que você disse?! Não tem um pingo de gratidão, hein?! Se não fosse por mim, você nunca teria subido na cama do Olavo para engravidar! O problema é que você não soube fazer o serviço direito. Se tivesse tido um filho homem, estaria bem agora.

— E olha só, como se não bastasse, a menina ainda morreu! É claro que ele ia te largar. E você, hein? Vai divorciar sem um centavo?

Jorge tinha dívidas pesadas e, se Isadora realmente não conseguisse dinheiro, ele estaria acabado.

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