— Aline!
Isadora gritou com força, e as lágrimas caíram pelo seu rosto. Sentia como se algo estivesse preso em seu peito, sufocando a ponto de dificultar a respiração.
Ela sabia.
Sabia que sua Aline tinha partido, que voltara para o céu. Veio a este mundo, viu este mundo, mas não gostou. Ficou decepcionada com tudo e todos, então decidiu ir embora para nunca mais voltar.
Abraçando a filha nos braços, ela tremia:
— Aline, me perdoa! Me perdoa!
Suas mãos vacilantes seguravam o rostinho sem vida da menina, beijando-o uma vez, outra e outra...
A culpa era dela, ela insistiu em ficar com Olavo.
Foi egoísta.
Era uma péssima mãe. Não merecia ter Aline.
E agora, sua filha nunca mais voltaria.
Com a dor cortando sua alma, Isadora respirou fundo, tentando manter a calma. Com suas próprias mãos, lavou e vestiu Aline com o vestido rosa de princesa que ela mais amava. Queria que sua menina partisse linda, impecável. No último momento, faria o melhor para sua filha.
Os médicos e enfermeiros gostavam muito de Aline. Ela era um pequeno anjo. Agora, todos estavam comovidos. Algumas enfermeiras também enxugavam as lágrimas.
Mas Isadora, a mãe que acabara de perder sua filha, já não conseguia mais chorar.
Ao ver as meninas chorando, ela até esboçou um sorriso suave e disse baixinho:
— Obrigada por cuidarem da Aline durante todo esse tempo.
Uma enfermeira olhou para ela, preocupada:
— Sra. Isadora, a senhora... tá tudo bem?
Quem perde uma filha e ainda consegue sorrir?
Era assustador.
Isadora não disse mais nada. Pegou os últimos 20 mil reais que lhe restavam e comprou uma urna cor-de-rosa. Aline adorava essa cor. Foi a última coisa que pôde fazer por ela.
Levando consigo as cinzas da filha, Isadora voltou para aquela casa fria e sem vida. Precisava arrumar as coisas de Aline e partir com ela.
Mas, ao chegar na porta, encontrou alguém que não queria ver.
O responsável por todas as suas desgraças. O verdadeiro culpado.
Segurando a urna com força, Isadora falou entre dentes, o olhar carregado de ódio:
— Jorge, o que está fazendo aqui?
— Que jeito é esse de falar comigo? Sou seu tio!
Jorge se aproximou com um sorriso cínico, mas, ao ver o que Isadora carregava nos braços, ficou paralisado:
— Isso... o que é isso?
— Aline já se foi.
A voz de Isadora saiu fria, sem emoção. Como se estivesse falando da filha de outra pessoa.
— O quê?! Como assim? Essa menina era muito fraca! Morreu assim, do nada?
Pensando um pouco, ele resmungou, indignado:
— Não pode ser! Isso não pode ficar assim! Vou atrás do Olavo! Ele vai ter que pagar!
Mas isso não por Aline.
Ele sequer demonstrou tristeza. Só pensava em dinheiro, e quanto conseguiria arrancar dessa tragédia.
— Jorge, minha mãe já morreu. A partir de hoje, você também está morto para mim.
— Estou sozinha. Vou me divorciar. Não tenho mais dinheiro para te dar. Agora, vá embora.
Isadora estava esgotada, finalmente enxergou tudo com clareza.
Família? Só facas apontadas para o seu peito.
Jorge começou a xingar:
— O que você disse?! Não tem um pingo de gratidão, hein?! Se não fosse por mim, você nunca teria subido na cama do Olavo para engravidar! O problema é que você não soube fazer o serviço direito. Se tivesse tido um filho homem, estaria bem agora.
— E olha só, como se não bastasse, a menina ainda morreu! É claro que ele ia te largar. E você, hein? Vai divorciar sem um centavo?
Jorge tinha dívidas pesadas e, se Isadora realmente não conseguisse dinheiro, ele estaria acabado.

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