Mas, assim que esse pensamento surgiu, Isadora o reprimiu imediatamente.
Ela sabia que não tinha esse direito. Com que justificativa poderia se agarrar a ele e chorar?
Rafael Alves a acomodou com cuidado no banco do carona. Ao vê-la naquele estado, soltou um suspiro pesado:
— Para de chorar, vou te levar ao hospital.
Isadora perguntou, já sabendo a resposta:
— Devo estar um desastre, né?
Ela riu baixinho, cheia de amargura. Mas Rafael foi direto ao ponto:
— Não precisa bancar a durona. Se quiser chorar, chora.
Assim que ele terminou de falar, aumentou o volume do som ao máximo.
Isadora se encolheu no banco e chorou sem reservas.
Rafael sentia o peito apertar de tanta dor por ela, mas não disse nada. Apenas dirigiu em direção ao hospital.
O som alto preenchia o carro, mas, mesmo assim, ele conseguia ouvir os soluços abafados e angustiados dela. A culpa o consumia: se soubesse que isso aconteceria, teria voltado antes. Se tivesse voltado antes, ela nunca teria passado por essa humilhação.
Logo chegaram ao hospital. Isadora já tinha parado de chorar e, mais calma, abriu a porta para sair sozinha. Mas Rafael não deu chance. Num passo rápido, a segurou e ergueu nos braços mais uma vez.
— Rafael, consigo andar, você...
— Cala a boca e fica quieta.
O tom autoritário dele cortou qualquer contestação.
Segurando-a firmemente, ele entrou no hospital.
O cheiro forte de desinfetante invadiu as narinas de Isadora, e seu rosto empalideceu. Ela detestava aquele cheiro, sempre detestou.
Logo, os enfermeiros e o médico começaram a examiná-la. Assim que o álcool tocou em seus ferimentos, num reflexo, Isadora apertou a mão de Rafael.

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