Mas agora, vendo-a assim, Olavo sentiu um aperto no peito.
— Isadora, não fala assim... Eu e Olavo não somos o que você está pensando. — Tereza deixou os olhos marejarem e, instintivamente, se escondeu atrás de Olavo. — A gente... a gente não é sujo.
— Eu e a Tereza sempre nos amamos. Foi você quem insistiu em engravidar para me prender. E agora, além de não saber como ser minha esposa, também esqueceu como ser mãe.
Olavo franziu o cenho, a expressão dura:
— Cadê Aline? Entrega a criança e não me faça perder a paciência.
Ele se colocou na frente de Tereza, protegendo-a, como se temesse que Isadora pudesse fazer algo contra ela. Um gesto tão instintivo que não deixava dúvidas...
Foi nesse momento que Isadora entendeu. Ele realmente amava essa mulher e, do mesmo jeito, nunca tinha amado ela.
Por não a amar, foi tão cruel. E por não se importar, Aline se tornou a vítima.
— Ela morreu.
Isadora abaixou o olhar, declarando aquilo com uma frieza assustadora.
Aline morreu. Nunca mais voltaria, nunca mais...
— Olavo, Aline morreu. E eu e você já nos divorciamos. A partir de agora, não existe mais nada entre a gente.
Com esforço, se levantou do sofá. Os joelhos feridos ardiam, mas a dor física não era nada perto do que sentia no peito.
Aline se foi. O homem que ela amou por anos... ela também não queria mais.
Agora, só queria ir embora com sua filha e sumir daquele lugar sufocante.
Olavo finalmente perdeu a paciência:
— Você não vai parar com essa loucura?
Ele deu um passo à frente e segurou o queixo de Isadora com força, os dedos apertando sua pele como se quisesse quebrá-la.

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