Capítulo 36
Ezequiel Costa Júnior
Aquele sorrisinho maroto no canto da boca dela... foi como uma vitória. Mas uma vitória diferente. A porra da confiança que essa mulher me exige de um jeito que ninguém jamais ousou, me enlouquece.
Encostei meu corpo de leve no dela, só pra sentir se ela recuava. Não recuou. A pele quente, os olhos desafiadores. Mariana é um misto de força e fragilidade que me desmonta por dentro. E ela sabe disso.
— Isso parece interessante. O que quer, bonequinha? — perguntei de novo, com a voz mais baixa, quase num sussurro, como se nossas respirações tivessem criado uma bolha onde só nós dois existíamos.
Ela me olhou firme, sem medo, sem hesitação.
— Quero que pare de ouvir o Consigliere. Quero que me dê um voto de confiança. Você me quer, Ezequiel? Então cada vez que me ouvir, que confiar em mim... eu vou deixar você se aproximar. Vou me esforçar.
Aquilo me pegou de surpresa.
— E isso inclui o quê exatamente? — aproximei meu rosto do dela, a boca perto o bastante pra sentir seu cheiro doce, mas sem encostar.
— Inclui o que for possível — ela respondeu, quase num sussurro. — Você é médico, sabe como a androfobia me afeta. Então como você vai confiar em mim... eu também vou confiar em você. O que acha?
Soltei um meio sorriso. Aquela mulher tinha o dom de virar tudo ao contrário. Era eu quem devia ter o controle, mas ela... ela fazia parecer que o poder sempre esteve com ela.
— Isso é bem tentador... — admiti, mordendo o lábio inferior enquanto a observava. — Mas vai chegar em casa e ir direto pro meu quarto, hoje. Isso não está em discussão.
Ela respirou fundo, e por um momento, vi uma sombra de dúvida em seus olhos. Mas assentiu.
— Tudo bem. Mas você vai chegar e evitar o Consigliere. Não quero você com ele hoje, nem mesmo no celular. Só preciso de uns dias, talvez mais pra provar que ele não é quem você pensa.
Me afastei meio passo, os olhos ainda grudados nela.
— Você anda muito desconfiada dele...
— Porque tem algo errado, Ezequiel. — a expressão dela mudou, ficou mais séria. — Você não lembra, mas sempre odiou seu pai. Que nem é seu pai biológico.
— Como não? Ezequiel Costa foi meu pai. Do que está falando? — ela fez um sinal de silêncio.
— Shiii. Esse não é um assunto simples, pode se complicar se alguém ouvir. Esquece por enquanto, me deixe te provar o que digo e depois falamos sobre isso.
— Nada faz sentido.
— Você agora está parecido com ele. O Consigliere te disse alguma mentira pra que ficasse assim, tenho certeza. Não sou burra. E ele tem um olhar de traição. Eu vi isso na sua casa, ele te olhava como se fosse cravar uma faca nas suas costas a qualquer momento.

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