O caminho para levar Heitor até a empresa era uma hora de viagem. Tempo mais do que suficiente para resolverem a questão da demissão.
No passado, nem mesmo o divórcio havia sido tão complicado.
— Você quer ir embora? — O tom de Heitor parecia indiferente, mas carregava uma insatisfação inexplicável.
Cecília assentiu.
Naquele cruzamento, havia pessoas por todos os lados. Pedestres atravessavam a faixa de um lado para outro.
Somente quando o sinal ficou verde e os carros voltaram a avançar em ordem, Cecília pressionou o acelerador.
A estrada estava livre, mas Heitor permaneceu em silêncio por um longo tempo.
Até que ela entrou no estacionamento subterrâneo do Grupo Prospera e parou o carro na vaga exclusiva dele.
Heitor tentou abrir a porta para sair, mas, quando puxou a maçaneta, nada aconteceu.
Suas sobrancelhas se franziram, ele virou a cabeça e olhou para Cecília.
— Sr. Heitor, o senhor ainda não me respondeu.
Cecília não havia destravado a porta. Ela realmente teve coragem suficiente para manter Heitor preso dentro do carro.
— E se eu não concordar? — A testa dele se franziu ainda mais.
— É realmente inapropriado que eu permaneça aqui. Além disso, o senhor também não quer que a Srta. Nicole fique triste novamente, não é? — Cecília usou habilmente a palavra "triste" para pressioná-lo.
Se ela não fosse embora, Nicole continuaria criando problemas, tornando a situação desagradável para todos.
Heitor recostou-se no banco e chegou a rir de raiva diante da atitude dela de não destravar a porta.
— Cecília, se eu não concordar, você pretende nunca mais abrir a porta?
— Claro que não. — Cecília balançou a cabeça. — Eu vou convencer o senhor a concordar.
Se não conseguisse convencê-lo, simplesmente continuaria tentando. Caso contrário, Heitor não sairia do carro.
Mas qual era a diferença entre isso e nunca mais abrir a porta se ele não concordar?
— Suba comigo. Hoje eu vou lhe dar uma resposta satisfatória.

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