Ardânia, hospital.
— Heitor, por que viemos até aqui? — Nicole estava sentada no carro.
Suas mãos agarravam com força a barra do vestido, e seu rosto demonstrava uma clara resistência.
Heitor estava parado ao lado do carro, fumando.
A porta permanecia aberta, ele esperava que ela descesse.
— Ouvi dizer que aqui há um médico especializado em doenças difíceis e complicadas. Ele é bastante famoso.
No momento em que o carro parou diante do hospital, o rosto de Nicole já havia perdido toda a cor. Agora, estava ainda mais pálido.
— Eu não vou ao hospital!
Heitor deu uma tragada no cigarro. A fumaça se espalhou ao redor de seu rosto, tornando sua expressão ainda mais difícil de decifrar.
— O pior resultado já é exatamente como está agora. Vá consultar. — A voz do homem carregava uma firmeza incontestável.
Ele não lhe dava espaço para recusar.
— Heitor... — As mãos de Nicole se fecharam com força e suas unhas quase perfuraram a palma.
— Desça. Eu vou com você. — Ele apagou o cigarro.
Seu tom era metade uma tentativa de convencê-la, metade uma ordem.
Ela não conseguiria escapar. A respiração de Nicole ficou presa. Ela olhou para Heitor por vários segundos antes de finalmente sair do carro.
Assim que ela desceu, Heitor fechou a porta.
No instante em que ele se virou, Nicole já havia começado a correr em direção ao outro lado da rua.
Heitor franziu as sobrancelhas, mas, antes que ele pudesse alcançá-la, ela já havia entrado em um táxi.
Uma hora depois, no hotel. Nicole havia se trancado no quarto e se recusava a abrir a porta.
— Eu quero voltar para casa! — Ela gritou do outro lado.
Heitor estava sentado no sofá. Em suas mãos, segurava uma revista. Suas pernas cruzadas transmitiam uma postura elegante e relaxada, mas, ao mesmo tempo, havia nele uma forte sensação de controle absoluto.
— Se você não fizer os exames, não volta para casa.
No mesmo instante, o choro de Nicole desapareceu. O quarto ficou tão silencioso que era possível ouvir uma agulha cair.

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