Aquela altura, o banquete de aniversário de Roberto ainda deveria estar em andamento. Então, por que Heitor estava ali?
— Aquele é o Sr. Heitor? — Perguntou Caio, também surpreso. De repente, pareceu lembrar-se de algo. — Ele não estava dando uma entrevista agora há pouco, anunciando o casamento com a Srta. Nicole?
Enquanto se afastava às pressas, Heitor lançou um olhar discreto para a mão de Caio, que ainda repousava na cintura de Cecília.
Quando sua figura desapareceu completamente de vista, Cecília finalmente voltou a si e rapidamente se afastou de Caio.
— Desculpe. Foi um impulso do momento.
A mão de Caio permaneceu suspensa no ar por alguns segundos antes que ele a recolhesse, constrangido.
— Obrigada. Até mais. — Alisando a barra da roupa, Cecília respondeu.
Ela foi a primeira a se virar e partir. Assim que entrou no carro, ligou imediatamente para Flávia.
O telefone chamou várias vezes e ninguém atendeu.
O coração de Cecília foi se apertando aos poucos.
Finalmente, pouco antes de a ligação ser encerrada automaticamente, Flávia atendeu.
— Flavinha, aconteceu alguma coisa?
Do outro lado da linha havia bastante barulho.
— O vovô passou mal de repente. A pressão dele subiu muito, então nós o trouxemos para o hospital. Como você soube? — Baixando a voz, Flávia respondeu.
Os socorristas haviam passado tão depressa que Cecília não tinha conseguido ver quem estava deitado na maca.
— Eu estou no hospital. — Disse ela, com a voz embargada. — Vou esperar no estacionamento por enquanto. Se acontecer qualquer coisa com o Sr. Roberto, me avise imediatamente.
Flávia assentiu repetidas vezes.
— Não precisa se preocupar. Não é nada muito grave. O médico disse, numa avaliação inicial, que ele apenas se excedeu e ficou exausto. Afinal, já é idoso e também odeia confusão. A culpa é da minha mãe. Ela insistiu em fazer essa festa de aniversário para anunciar o casamento do meu irmão com a Nicole... — Flávia continuou resmungando por um bom tempo.

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