— Ele é seu irmão de sangue, não um estranho! — Corrigiu Natália.
No fundo do coração, ela ainda mantinha uma esperança de que Flávia Nunes amasse Ulisses como eles.
— Eu não tenho irmão nenhum, eu sou a filha única da Família Nunes!
Aproveitando que o empregado não estava atento, Flávia Nunes deu um chute no joelho do empregado. O empregado sentiu dor e soltou a mão.
Flávia Nunes se lançou sobre Natália, tentando segurá-la.
Natália ficou horrorizada e recuou. Tropeçou no batente da porta, bateu a parte de trás da cabeça e desmaiou na hora.
— Senhora!
Sara ficou branca de medo e chamou o motorista às pressas.
Depois de ajudar Natália a entrar no carro, ela olhou para Flávia Nunes e aconselhou, impotente:— Senhorita, quando o patrão voltar, vai ser o fim. Vá embora logo.
Uma família que era boa acabou chegando a esse ponto.
Flávia Nunes ficou paralisada no lugar, olhando para o sangue no chão, com as mãos e os pés gelados.
Ela só queria impedir Natália de sair, não queria machucá-la.
Sara certamente ligaria para avisar André Nunes, e André Nunes não a perdoaria.
Seu cérebro funcionou rápido, pensando no tesouro deles, Ulisses Nunes.
Flávia Nunes não hesitou, dirigiu direto para o jardim de infância e, usando a internação da mãe como pretexto, tirou Ulisses Nunes de lá.
Ulisses Nunes ainda era pequeno e ficou dançando de alegria por sair mais cedo da escola.
— Irmã, você pode me levar ao parque de diversões?
— Não me chame de irmã!
Flávia Nunes rugiu, ela odiava aquele tratamento.
Ulisses Nunes começou a chorar alto com o grito.
— Eu quero ir para casa, quero minha mãe!
— Pare de chorar!
Flávia Nunes estava irritada com o barulho, mas tentou acalmá-lo, resignada:
— Eu vou te levar ao parque de diversões. Se chorar mais, não vai.
Isso funcionou. Ulisses Nunes fechou a boca com força, os olhos cheios de lágrimas, ranho e choro ainda no rosto, mas sem emitir nenhum som.
Natália dizia que o parque de diversões não era seguro e nunca o levava.
Nesse momento, André Nunes ligou.
Depois de ameaçar, André Nunes lembrou que essa filha não tinha medo de nada e era capaz de tudo.
Ele suavizou o tom, jogando a carta da família.
— Flávia, ele é seu irmão, vocês são meus filhos. Não faça nada por impulso.
Flávia Nunes não se comoveu, sentindo apenas um nojo profundo.
— André Nunes, eu não sou uma criança de três anos. Guarde essa conversa para enganar o Ulisses.
— Claro, isso se houver herança para ele herdar.
— Dou-lhe um dia. Transfira todas as ações e bens em nome de Ulisses Nunes para mim, senão arque com as consequências.
Dito isso, ela desligou.
— Ulisses, hoje não vamos para casa. Vou comprar coisas gostosas para você.
Ulisses Nunes lambeu os lábios e perguntou com voz cristalina:
— Posso comer salsicha assada? A mamãe nunca deixa.
— Se você for bonzinho, pode comer o que quiser.
Flávia Nunes não parou, dirigiu direto para fora da cidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após O Divórcio, A Perna Dele Se Recuperou.
Adorei o livro!...