Keila se aconchegou no peito de Lincoln, abaixou o olhar e sussurrou com voz trêmula: — Eu só tenho medo que todo mundo diga que não sou boa o suficiente para você, agora que minhas notas ficaram tão ruins.
Lincoln apontou para ela desamparadamente: — Como você pode pensar assim?
Os dois trocaram carícias por um bom tempo, e só então Keila se sentiu um pouco melhor.
Dália estava em uma situação completamente diferente. Ela estava cheia de energia e voltou para o apartamento após as comemorações.
No dia seguinte, ela se levantou cedo, lavou a cabeça, secou os cabelos, mudou de roupa e foi para a escola.
Parecia preguiçosa e casual, sem se assemelhar de forma alguma a um estudante que acabara de descer do campo de batalha do ENEM.
Ela chegou à escola carregando tranquilamente sua mochila roxa.
Viu que do lado de fora da escola já havia cartazes estendidos e sua placa em tamanho real de pé.
Se a escola produzisse a Campeã Nacional e não a promovesse a todo custo, não faria sentido.
Na entrada da escola havia também a lista de resultados do ENEM. Dália ocupava a primeira posição, e muitos de sua própria turma também estavam lá.
— Dália! — Camille chegou no mesmo instante, saltou e se jogou em Dália.
Dália afastou a mão dela: — Você é pesada demais.
— Ah... — Camille murchou na mesma hora.
Ela estivera se deixando levar recentemente, e as únicas coisas que fizera foram praticar com seus irmãos e irmãs da academia de artes marciais e comer e beber com seus avós todos os dias.
Para não mencionar o peso que ganhara, ela também havia exercitado muito os músculos dos braços.
E os músculos abdominais.
Camille colocou a mão de Dália no próprio estômago: — Sente só, o que você acha?
— Hmm, parece bom.
Dália tirou a mão sem palavras.
A garota realmente não se preocupava com os detalhes.
Em público, ela agarrava as mãos da outra e as colocava no próprio corpo.
Qualquer um que não as conhecesse poderia pensar que as duas estavam tramando algum tipo de negócio obscuro.
— Vamos, vamos para a sala de aula.
A Professora Tavares acenou para Dália.
Dália pediu a Camille que deixasse sua mochila no assento e foi com a professora.
Keila estava sentada na frente. Ela não queria ter vindo para a escola hoje, foi Adilson que a acompanhou.
Sabendo que fora mal na prova, Keila não parava de pensar que todos na classe riam dela pelas costas.
Ela baixou a cabeça triste, derramando lágrimas na mesa, como se alguém estivesse fazendo bullying com ela.
Camille viu isso e murmurou: — Maluca!
Na verdade, Keila não foi a única que se saiu mal nos exames, e também não foi a única que estava chorando.
Mas Keila conseguia passar um tipo de falsidade, tornando difícil para Camille não amaldiçoá-la.
Keila a ouviu, mas nem sequer levantou a cabeça para brigar com Camille.
Dália rapidamente atendeu a entrevista.
Todos os anos, as perguntas dos jornalistas eram, na verdade, muito parecidas.

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